Maurício Quadrado teve contas bloqueadas no âmbito de desdobramentos da Operação Lava Jato
Maurício Quadrado, sócio do Banco Master entre 2020 e 2024, teve contas na Suíça bloqueadas entre 2018 e 2022 depois de denúncias de pagamento de propinas ligadas às operações Sépsis e Cui Bono, desdobramentos da Lava Jato. Mesmo com ativos no exterior indisponíveis, ele recebeu autorização do Banco Central para se tornar sócio do banco.
Pelas regras do BC, acionistas relevantes passam por análise de reputação, idoneidade e origem do patrimônio. A existência de inquéritos ou bloqueios de bens não impede automaticamente a autorização — a decisão é caso a caso.
A defesa afirma que Quadrado desconhecia a existência de inquérito por corrupção à época e classifica o bloqueio como ilegal, alegando cerceamento de defesa. Segundo os advogados, nenhuma acusação foi comprovada e os inquéritos acabaram trancados.
Defesa e posição do Banco Central sobre aprovação do sócio do Master

O BC não respondeu aos pedidos de entrevista do jornal O Estado de S. Paulo. Quando Quadrado foi aprovado como sócio do Master, a autoridade monetária era comandada por Roberto Campos Neto. Reportagem do Estadão mostrou que ele tinha conhecimento das dificuldades do banco e teria atuado para evitar intervenção, preferindo uma solução de mercado.
Quadrado foi investigado depois de delação de Roberto Madoglio, ex-superintendente da Caixa, que afirmou ter recebido propinas para facilitar a liberação de recursos do FI-FGTS. Segundo a delação, parte dos valores teria origem em contas atribuídas a Quadrado no exterior.
Autoridades suíças identificaram transferências que somam cerca de US$ 3,5 milhões. Com base nessas informações, a Justiça determinou o bloqueio de contas de investigados, incluindo Quadrado.
Apesar de apontar “provas robustas”, o Superior Tribunal de Justiça liberou os recursos em 2022 porque, depois de quatro anos, não houve denúncia. Em 2023 e 2025, os inquéritos foram trancados definitivamente pelo TRF-1, que considerou a investigação excessivamente prolongada sem produção de provas.
Trajetória no mercado e novos episódios
Quadrado foi diretor do Bradesco nos anos 1990, atuou em privatizações e IPOs, tornou-se sócio da Planner e depois criou a Trustee DTVM. Em 2020, entrou no Banco Master, do qual saiu em 2024, vendendo sua participação.
Tentou criar o Bluebank, mas o BC não aprovou as aquisições. O Letsbank, ligado ao Master, foi liquidado em novembro, junto ao Banco Master e ao Banco Master de Investimentos.
A Trustee apareceu na Operação Carbono Oculto, que apura vínculos entre gestoras da Faria Lima e o crime organizado. Fundos sob sua gestão também foram citados em reportagens sobre dívidas milionárias sem comprovação de serviços e investimentos em empresas investigadas por esquemas de descontos ilegais no INSS.
*Fonte: Revista Oeste