Investigadores indicam sociedade em outro negócio ligado ao mercado de maconha medicinal
A publicitária Danielle Fonteles vinculou Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, a uma empresa de consultoria com volume financeiro milionário. Registrada no fim de 2024 em nome de um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, a Spyder Consultoria movimentou R$ 371 milhões em apenas seis meses. As informações são do portal Metrópoles.
Fundada em 13 de dezembro, a Spyder registrou mais de R$ 16 milhões em movimentações já nas primeiras semanas de 2025. Ao fim do primeiro semestre, havia recebido R$ 185,5 milhões em créditos e realizado R$ 185,8 milhões em débitos.
Com base nos critérios do BNDES, os números a enquadrariam como uma empresa de grande porte. O capital social declarado à Receita Federal, no entanto, era de apenas R$ 120 mil.
A consultoria chamou atenção da CPMI do INSS por sua conexão com a Dinar S/A Participações, uma das empresas utilizadas por Careca em operações anteriores.
A comissão requisitou a quebra do sigilo da Spyder depois de identificar repasses suspeitos da Dinar, que também recebeu valores milionários da Arpar e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura.
Fonteles recebeu recursos e mantém vínculo com empresa de Careca
Em relatório enviado à CPMI, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicou um repasse de R$ 200 mil da Spyder à própria Fonteles. Responsável por campanhas eleitorais do PT, incluindo a de Dilma Rousseff em 2010, a publicitária afirmou ao Metrópoles que não conhecia a empresa e que Careca havia ordenado o pagamento.
Segundo ela, tratava-se de parte da negociação de venda de um imóvel em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA).
A Polícia Federal já vincula Fonteles a outras movimentações financeiras de Careca. Os investigadores indicam uma relação societária entre os dois na Cannabis World, empresa voltada ao mercado de maconha medicinal, com sede em Portugal.
Eis a nota enviada pela defesa de Fonteles ao Metrópoles:
“O valor de R$ 200 mil transferidos pela empresa Spyder é referente ao pagamento parcial de uma das 13 parcelas previstas para a aquisição de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia. Ao contrário das parcelas anteriores, quando as transferências (todas documentadas e com os respectivos impostos recolhidos) foram feitas de contas de Antônio Antunes, esse valor, bastante inferior ao valor de R$ 1 milhão previsto em contrato, partiu de uma conta da Spyder. Até o depósito bancário, Danielle Fonteles não tinha conhecimento da existência dessa empresa.
Em razão de o pagamento não corresponder ao valor integral da parcela e por Antunes ter perdido a capacidade de honrar o compromisso financeiro, a venda do imóvel foi desfeita por meio da assinatura de um distrato de compra e venda. Documentos que comprovam a negociação da casa foram apresentados à CPMI do INSS e ao Supremo Tribunal Federal (STF).”
*Fonte: Revista Oeste