Câmara trava novas CPIs e empurra caso Banco Master para outras frentes

Com 15 pedidos de investigação aguardando despacho, deputados buscam alternativas no Senado para apurar suspeitas que envolvem a instituição financeira liquidada

A articulação para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as fraudes no Banco Master esbarra, por ora, na falta de espaço na pauta da Câmara dos Deputados. Hoje, há 15 requerimentos aguardando análise para a instalação de CPIs, todos à espera de decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Deputados que defendem a investigação afirmam já ter alcançado o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento — ao menos 171 apoios. Mesmo assim, a criação de uma CPI depende exclusivamente do aval da presidência da Câmara, que administra a fila de pedidos.

O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), por exemplo, confirmou que o requerimento atingiu o quórum necessário. O deputado Marcos Pollon (PL-MS), por sua vez, atua para ampliar o apoio. Até o momento, contudo, não há pedido formal sobre o Banco Master incluído na lista de prioridades.

A fila de CPIs

Entre os requerimentos que aguardam decisão estão propostas de investigação sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, supostas irregularidades que envolvem operadoras de planos de saúde e conflitos relacionados à demarcação de terras indígenas. A sobreposição de temas sensíveis tem dificultado o avanço de novas CPIs.

O Banco Master é investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude bilionária. Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, depois de identificar indícios de atuação irregular.

O caso ganhou peso político em Brasília por causa da atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco. Relatos sobre sua proximidade com parlamentares e menções a relações com integrantes do Supremo Tribunal Federal ampliaram a pressão por apuração no Congresso.

Alternativas fora da Câmara

Diante do impasse, parlamentares têm buscado outros caminhos. Uma das apostas é a criação de uma CPMI, comissão mista formada por deputados e senadores. Para isso, o requerimento precisa ser lido em sessão do Congresso pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), por exemplo, afirma já ter reunido o número necessário de assinaturas para protocolar o pedido. Atualmente, o Congresso mantém em funcionamento apenas a CPMI que apura irregularidades no INSS.

No Senado, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu criar um grupo de trabalho para acompanhar o andamento das investigações. A iniciativa pretende ouvir personagens centrais do caso, incluindo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, e o controlador do banco.

Senadores da oposição articulam levar o tema à CPI do Crime Organizado, já instalada no Senado. Requerimentos apresentados pedem a convocação de familiares do ministro do STF Dias Toffoli, em meio a questionamentos sobre a condução do inquérito.

*Fonte: Revista Oeste