Reunião acontece em um momento de maior tensão no Oriente Médio, em função de negociações entre EUA e Irã
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fará mais uma visita a Washington, onde se reunirá, nesta quarta-feira, 11, com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Este será o sétimo encontro entre os dois desde o retorno de Trump à presidência, em janeiro de 2025, segundo registros da imprensa internacional e de fontes diplomáticas.
A reunião ocorre depois de uma sequência recente de contatos entre os dois líderes. Em dezembro de 2025, Trump e Netanyahu se reunido pela sexta vez, para discutir a guerra em Gaza, o programa nuclear iraniano e a coordenação política entre os dois países.
O encontro em Washington, relata o The Jerusalem Post, acontece em um momento de maior tensão no Oriente Médio. Autoridades dos EUA emitiram alertas a embarcações que operam sob bandeira norte-americana para que mantenham distância das águas territoriais do Irã durante a travessia do Estreito de Ormuz, diante do risco de ações provocativas por parte de Teerã.
Ao mesmo tempo, o Irã endureceu sua posição pública. Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, afirmou que o país pode aceitar a diluição de seu estoque de urânio enriquecido a 60% apenas se houver a retirada total das sanções internacionais. Em paralelo, Ali Larijani, assessor do líder supremo Ali Khamenei, é esperado em Omã para dar continuidade às conversas com representantes norte-americanos. Larijani é secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Segundo autoridades israelenses, o encontro foi considerado uma “reunião de definição estratégica”. O objetivo é discutir não apenas o andamento das negociações entre EUA e Irã, mas também os cenários caso as tratativas não avancem, incluindo medidas adicionais de pressão. Netanyahu será acompanhado por seu secretário militar, o general Roman Gofman, e pelo chefe interino do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Gil Reich.
Do lado norte-americano, o vice-presidente JD Vance afirmou que, neste estágio, não há linhas vermelhas formalmente estabelecidas para as negociações, mas destacou que a Casa Branca busca um acordo amplo. “Se houver linhas vermelhas nas conversas com o Irã, Trump será quem vai defini-las”, declarou o vice-presidente. “Ele quer um acordo significativo. Chegar a um entendimento com o Irã beneficiaria todos.”
Expectativas em relação ao novo encontro entre Trump e Netanyahu
Segundo o jornal, os EUA comunicaram ao Irã a expectativa de que o chanceler Abbas Araghchi e sua delegação compareçam à próxima rodada de negociações com propostas concretas. A cobrança foi transmitida depois de a primeira reunião realizada em Omã.
Nesse encontro inicial, os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, reuniram-se com Araghchi e outros altos funcionários iranianos, com a participação do comandante do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper. A reunião foi classificada como “positiva”. Apesar disso, o foco esteve nos procedimentos das negociações, e não nos pontos centrais do acordo.
Segundo fontes familiarizadas com o processo, Washington agora espera que o Irã apresente concessões objetivas, especialmente no campo nuclear e em outros temas considerados sensíveis. Uma nova rodada ainda não foi marcada. A avaliação é de que qualquer avanço só deverá ocorrer depois deste novo encontro entre Trump e Netanyahu em Washington.
*Fonte: Revista Oeste