O Amprev rejeitou propostas de bancos de primeira linha, como o Santander, BTG Pactual e Safra, sob o argumento de maior retorno oferecido pela instituição financeira
Documentos da investigação da Polícia Federal mostram que os aportes do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master foram feitos com desprezo a alertas técnicos e riscos de mercado.
Segundo a PF, as operações ocorreram em menos de 20 dias e seguiram uma lógica “estruturada e sequencial”, com funções definidas entre os investigados. Os documentos foram revelados pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.
A PF aponta o conselheiro José Milton Afonso Gonçalves como “mentor intelectual” das operações no Comitê de Investimentos do Amprev. De acordo com a investigação, ele teria omitido comparativos de risco e rejeitado propostas de bancos de primeira linha — Santander, BTG Pactual e Safra — sob o argumento de maior retorno oferecido pelo Banco Master.
A conduta teria se repetido nas reuniões de 19 e 30 de julho, com indícios de direcionamento deliberado dos recursos.
Outros detalhes da investigação sobre aportes ao Master

O presidente do Amprev, Jocildo Silva Lemos, também é citado como peça central da operação e foi alvo de buscas. Segundo a PF, ele atuou para neutralizar resistências internas da área técnica e tinha ciência de que a Caixa Econômica Federal recusou a compra dos mesmos ativos por considerá-los de alto risco.
Ainda assim, Jocildo teria validado uma visita técnica ao Banco Master apenas para dar aparência de legalidade, sem auditoria efetiva.
Para o juiz Jucélio Fleury Neto, da Justiça Federal do Amapá, os fatos indicam crime que “atinge frontalmente o interesse do Estado”, com prejuízo irreparável ao erário previdenciário.
Jocildo afirmou ter sido indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), que não é investigado. Em nota, Alcolumbre disse esperar apuração transparente e respeito ao devido processo legal.
*Fonte: Revista Oeste