Venezuela condiciona eleições à reinstitucionalização do país

Presidente da Assembleia venezuelana, Jorge Rodríguez afirmou que processo eleitoral só vai ocorrer com período de estabilização política

Depois da deposição do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o debate sobre novas eleições na Venezuela ganhou destaque no cenário nacional. Contudo, autoridades do país condicionam o pleito à estabilização política.

O presidente da Assembleia venezuelana, Jorge Rodríguez, afirmou à Newsmax, em entrevista exibida nesta segunda-feira, 9, que o processo eleitoral só ocorrerá quando as instituições estiverem “plenamente restabelecidas”.

Rodríguez, irmão da líder interina Delcy Rodríguez, explicou que o país está focado atualmente na chamada reinstitucionalização, com o objetivo de restituir a normalidade e garantir o pleno funcionamento das estruturas do Estado.

“Estamos trabalhando, neste momento, no que chamamos de reinstitucionalização do país”, afirmou o presidente da Assembleia da Venezuela à Newsmax. “Fazemos isso para que cada instituição possa voltar a exercer plenamente suas funções e ser reconhecida por todos.”

Novas eleições na Venezuela

Bandeira da Venezuela | Foto: Reprodução/ONU
Bandeira da Venezuela | Foto: Reprodução/ONU

O parlamentar destacou que, para o retorno das eleições, deverá ocorrer a elaboração de um cronograma que garanta direitos e garantias tanto para vencedores quanto para derrotados.

“Vamos trabalhar em um cronograma que seja conveniente para todos”, explicou. “Ele deve assegurar não apenas aos vencedores, mas também aos que não vencerem, que todas as garantias serão mantidas e oferecidas por ambas as partes envolvidas”.

Desde que Delcy Rodríguez assumiu como líder interina, em 5 de janeiro, dois dias depois da extradição de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, para os EUA, as relações entre Caracas e Washington passaram por mudanças significativas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia descartado a realização de eleições no curto prazo, sob o argumento de que a Venezuela precisava primeiro “de um conserto”.

Relação com os EUA e negociações diplomáticas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Jorge Rodríguez avaliou que o diálogo com o governo norte-americano melhorou de forma expressiva nos últimos 36 dias, depois da captura de Maduro. “Tivemos uma relação muito intensa com os EUA historicamente, com altos e baixos, especialmente nos últimos 25 anos”, afirmou. “Mas o que podemos dizer é que, nos últimos 36 dias, tivemos um ótimo entendimento e relacionamento ao trabalhar com o governo dos EUA.”

O líder do Parlamento da Venezuela ressaltou que as negociações com Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, têm se pautado pelo respeito mútuo, e ambas as partes reconheceram a necessidade de estabilizar o país. “O que concordamos, e isso foi mencionado por Rubio, tanto em privado quanto publicamente, é a necessidade de estabilidade para a Venezuela”, disse Jorge Rodríguez.

Ele ainda mencionou o potencial econômico venezuelano, com destaque para as maiores reservas de petróleo do mundo, grandes reservas de ouro e gás natural e defendeu a exploração desses recursos como forma de gerar benefícios concretos à população.

“Temos agora uma indústria petrolífera que será garantida pela Venezuela e para todas as empresas que vierem para a Venezuela”, concluiu.

*Fonte: Revista Oeste