Porto em Aracruz atrai multinacional alemã e projeta operar plenamente em 2028

Complexo de R$ 2,5 bi no Espírito Santo surge como alternativa a Santos

Um projeto que por anos circulou em feiras do setor como apresentação digital começa a ganhar contornos de megainvestimento no litoral do Espírito Santo. O porto privado em construção em Aracruz, liderado pelo Grupo Imetame, firmou joint venture com a Hanseatic Global Terminals (HGT), braço de terminais da multinacional alemã Hapag-Lloyd.

Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, o investimento total estimado para colocar o complexo em operação é de R$ 2,5 bilhões. O acordo entre as empresas gira em torno de R$ 1 bilhão, embora o valor não tenha sido oficialmente divulgado. A expectativa é que a movimentação inicial de cargas comece entre o fim deste ano e o início de 2027. A operação completa está projetada para 2028.

A Imetame apresentou o plano do porto durante anos na Intermodal, principal feira de logística do país. Conforme relatado pela Folha de S.Paulo, armadores não demonstravam interesse, argumentando que se tratava apenas de uma apresentação (sem obra iniciada).

A mudança veio em 2021, quando o fundador do grupo, Etore Selvatici Cavallieri, decidiu iniciar a construção, com recursos próprios, no terreno adquirido em Aracruz ainda em 2008. À medida que as obras avançaram, o projeto passou a despertar atenção no mercado.

Estrutura e capacidade

O terminal de contêineres será administrado pela HGT, enquanto a Imetame ficará responsável por outras cargas, incluindo blocos de granito, granéis e veículos na primeira fase. Um ramal ferroviário próprio está previsto no complexo.

Quando estiver totalmente operacional, o porto poderá movimentar cerca de 1,2 milhão de TEUs por ano (unidade equivalente a contêiner de 20 pés). A profundidade do canal é um dos principais atrativos: 17 metros, com possibilidade de ampliação para 25 metros, segundo executivos da empresa. O calado permite receber embarcações de grande porte em um cais de 750 metros.

O projeto surge como alternativa ao Porto de Santos, principalmente para cargas de menor valor agregado. Empresários desses segmentos frequentemente apontam atrasos e congestionamentos no principal porto do país.

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Cândido, afirmou à Folha que entre 35% e 40% do café brasileiro pode passar por Aracruz quando o terminal estiver plenamente funcional.

Mudança de cenário

A ideia original, quando o terreno foi adquirido, era expandir os negócios de metalmecânica e serviços offshore da Imetame. A crise do petróleo em 2013 e a modernização da legislação portuária no mesmo período mudaram o rumo do empreendimento. A nova lei permitiu que terminais privados operassem cargas de terceiros, ampliando a viabilidade econômica do projeto.

Outro fator citado na reportagem da Folha é a limitação física do Porto de Vitória, principalmente quanto ao calado, o que restringe a operação de navios maiores.

Estratégia global

O investimento no Espírito Santo integra um plano mais amplo da Hapag-Lloyd. A empresa opera cerca de 300 navios, está presente em 140 países e administra atualmente 22 terminais portuários, com meta de chegar a 30 até 2030.

Executivos da HGT afirmaram à Folha que o cenário de congestionamento logístico no Brasil abre espaço para novos terminais. A joint venture em Aracruz figura entre as primeiras decisões estratégicas dentro do plano de expansão global.

*Fonte: Revista Oeste