Empresário reivindica R$ 1 mi apreendidos na casa de sargento da PM

Ricardo Barnabé afirma ser dono do dinheiro encontrado com Nereu Aparecido Alves, suspeito de escoltar empresa investigada por elo com o PCC

Um empresário apresentou uma petição à Corregedoria da Polícia Militar (PM) na qual afirma ser o proprietário de uma mala com quase R$ 1,2 milhão, apreendida na residência do sargento da PM Nereu Aparecido Alves. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Aparecido Alves e outros dois policiais militares foram presos no último dia 4, sob suspeita de integrar uma organização criminosa por realizar escolta a dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, investigada por suposta lavagem de dinheiro ligada à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

O empresário que reivindica a quantia, Ricardo Barnabé, é sócio de empresas registradas na região metropolitana e no interior de São Paulo. Em documento assinado por seus advogados, declarou que se apresenta voluntariamente às autoridades “para os esclarecimentos necessários e para a juntada de documentação que comprova a origem e a licitude dos valores”.

Carro da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo
Carro da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo | Foto: Divulgação

Em depoimento, Aparecido Alves afirmou que Barnabé — para quem presta serviços de segurança — já havia telefonado à Corregedoria no dia da operação para informar que o dinheiro lhe pertencia e tinha origem comprovada.

A defesa sustenta que o empresário não possui nenhum vínculo com a Transwolff. “Esse dinheiro tem origem, e vai ser provado nos autos”, disse à Folha. “A única coisa que eu quero é pegar meu dinheiro e sair dessa palhaçada aí. Tanto é que eu admiti que esse dinheiro é meu, não tem nada a ver com os outros.”

Ele não explicou por que mantinha elevada quantia em espécie na casa do segurança. Questionado, preferiu encaminhar nota por meio de seus advogados, informando que os esclarecimentos serão prestados “tão logo [ele] seja formalmente intimado ou convocado”.

Polícia Militar trabalha no bairro do Morumbi, em São Paulo
Polícia Militar trabalha no bairro do Morumbi, em São Paulo | Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo o sargento, a pedido do empresário, ele buscou o dinheiro em Bauru (SP), no último dia 3, e o levou até a capital paulista. Como não conseguiu encontrar Barnabé pessoalmente, teria recebido a orientação de guardar a mala até o dia seguinte. Na manhã seguinte, porém, Aparecido Alves foi preso e o dinheiro apreendido durante a operação da Corregedoria.

Em interrogatório, o sargento afirmou que faz “bico” desde que ingressou na corporação para complementar a renda familiar. Disse ainda possuir apenas um apartamento financiado, não ter investimentos bancários nem veículos em seu nome — resposta dada a questionamento de seu advogado, Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva.

Barnabé figura como sócio de seis empresas registradas na Junta Comercial de São Paulo. Entre elas está a Qualybem Food & Service, fornecedora de alimentos para órgãos públicos, com contratos junto à Universidade Federal de São Paulo e à Universidade Federal do ABC.

Empresário reivindica R$ 1 milhão apreendido na casa de sargento da PM
Ônibus da Transwolff, empresa suspeita de relação com o PCC | Foto: Divulgação

O sargento também negou ser autor de mensagem que se referia ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil-SP) como “chefe”. Segundo ele, o conteúdo teria sido escrito pelo capitão Alexandre Paulino Vieira e posteriormente encaminhado por Nereu Aparecido Alves a Cícero de Oliveira, dirigente da Transwolff.

No diálogo, depois de mensagens mencionarem a presença na “inauguração da escola do nome da mãe do chefe Milton” — referência ao Centro de Educação Infantil Nathalia Pereira da Silva, em M’Boi Mirim —, o sargento escreveu: “Capitão me passou”.

A reprodução das conversas no inquérito não exibe o selo “Encaminhada”, comum no WhatsApp. Contudo, os registros passaram por extração automática via software antes de serem inseridos nos autos, aparecendo em formato distinto do visualizado no aplicativo.

Polícia Militar de São Paulo analisa diversas linhas de investigação: problemas para encontrar parceiros de confiança na Bolívia | Foto: Divulgação/PMSP
Polícia Militar de São Paulo | Foto: Divulgação/PMSP

Sargento da Polícia Militar nega envolvimento com PCC

Nereu Aparecido Alves foi ouvido e indiciado no dia 19. Na mesma data, o capitão Alexandre também prestou depoimento e foi indiciado. O oficial negou envolvimento com o crime organizado e afirmou desconhecer qualquer ligação de dirigentes da Transwolff com o PCC.

“O capitão Alexandre nunca negou que administrou e gerenciou serviços particulares de segurança para a Transwolff”, afirmou o advogado Mauro Ribas. “O principal motivo para jamais ter desconfiado de ilegalidades é o fato de a empresa manter contrato público com a Prefeitura de São Paulo.”

A defesa questiona a decretação da prisão, alegando ausência de fato novo. “Não está claro o que mudou de junho de 2024 para agora, 2026. Foi em 2024 que a Corregedoria tomou conhecimento da prestação de serviço, que foi interrompida. Por que a prisão só foi decretada agora?”, indagou.

O capitão integrava a Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014. Ingressou no setor na gestão do vereador José Américo (PT-SP) e permaneceu durante as presidências seguintes, incluindo as de Milton Leite e do atual presidente, Ricardo Teixeira (União Brasil-SP).

*Fonte: Revista Oeste