A investigação aponta possíveis descumprimentos de normas de governança, assim como regras federais que orientam os regimes próprios de previdência
Irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Amazonas motivaram uma ação da Polícia Federal nesta sexta-feira, 6. A investigação apura suspeitas sobre investimentos feitos entre junho e setembro de 2024, em parceria com o Ministério da Previdência Social.
Segundo a apuração, aproximadamente R$ 390 milhões do fundo previdenciário estadual teriam sido aplicados em Letras Financeiras de bancos privados. A Polícia Federal aponta possíveis descumprimentos de normas de governança, assim como regras federais que orientam os regimes próprios de previdência.
Auditoria aponta operações suspeitas e nomes de bancos envolvidos
Entre os bancos envolvidos nas operações constam Banco Master, Banco Daycoval, BTG Pactual e C6 Consignado. Auditoria do Ministério da Previdência identificou cinco transações consideradas suspeitas. Foram R$ 50 milhões no Banco Master em junho de 2024, R$ 50 milhões no Banco Daycoval em agosto, R$ 40,7 milhões no BTG Pactual e duas aplicações de R$ 125 milhões cada no C6 Consignado em setembro.
De acordo com os investigadores, parte dessas operações teria ocorrido sem a autorização formal da diretoria ou do Comitê de Investimentos, contrariando normas internas e regulamentação federal aplicáveis à administração dos fundos previdenciários.
No cumprimento da operação, policiais federais executam sete mandados de busca e apreensão, além de afastar servidores públicos de seus cargos. Entre os alvos estão André Luis Bentes de Souza, ex-diretor de Previdência; Claudinei Soares, ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos; e Cláudio Marins de Melo, diretor de Administração e Finanças.
Ausência de documentos e monitoramento dos investimentos
Os envolvidos podem responder por crimes de gestão temerária e corrupção. Um dos episódios sob análise refere-se à aplicação de R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, feita em 6 de junho de 2024 pela Amazonprev, com vencimento para 2034. A auditoria não encontrou ata que comprovasse a autorização dessa operação.
No mês de setembro de 2024, relatório interno da Amazonprev indicou a inexistência de atas de reunião que validassem as aplicações no Banco Master e no C6 Bank. O caso foi enviado à apreciação do Comitê de Investimentos e dos conselhos responsáveis pelo fundo.
Em outubro de 2024, a Amazonprev iniciou a transferência da custódia dos ativos para a XP Investimentos, com o objetivo de regularizar a documentação das aplicações. Já em maio de 2025, relatório de diligências mostrou que o Comitê de Investimentos passou a monitorar o Banco Master depois do Banco Central recusar sua compra pelo Banco de Brasília (BRB), o que aumentou dúvidas sobre a saúde financeira do banco.
Além disso, a investigação destaca problemas em procedimentos internos e identificou movimentações financeiras consideradas atípicas no gerenciamento dos recursos do fundo previdenciário estadual.
*Fonte: Revista Oeste