Advogados Sérgio Leonardo e Roberto Podval encontram banqueiro em Brasília com autorização de André Mendonça para barrar gravações
Os advogados Sérgio Leonardo e Roberto Podval encontram o banqueiro Daniel Vorcaro nesta terça-feira, 10, na Penitenciária Federal de Brasília. O encontro marca o primeiro contato presencial da defesa com o dono do Banco Master desde sua transferência para a capital federal, ocorrendo sob uma condição excepcional autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que barrou qualquer monitoramento por áudio ou vídeo. Conforme apurado, a equipe jurídica registra, contudo, a ausência do advogado Pierpaolo Bottini, que não integra a comitiva nesta primeira agenda na unidade de segurança máxima.
A decisão de Mendonça atende a um pedido urgente protocolado pela defesa de Vorcaro logo que o empresário foi detido e levado ao sistema federal. O ministro determinou que a direção da penitenciária permita o acesso dos defensores regularmente constituídos sem a necessidade de agendamento prévio e sem qualquer tipo de vigilância eletrônica. A medida garante o sigilo das conversas em um ambiente onde o monitoramento é a regra, permitindo que o banqueiro discuta livremente os rumos de seu processo diante do colapso do Banco Master.
Racha na defesa e o possível delação
A possibilidade de Daniel Vorcaro firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) tornou-se o principal ponto de discórdia dentro de sua própria equipe jurídica. Conforme também apurou Oeste, dois dos três profissionais que representam o banqueiro opõem-se frontalmente à colaboração. O conflito de interesses reside no fato de que uma eventual delação poderia atingir grandes empresários e presidentes de partidos que também integram a cartela de clientes desses mesmos escritórios.
Caso Daniel Vorcaro decida avançar com a colaboração premiada, caminho considerado provável por interlocutores para reduzir uma futura pena, mudanças drásticas na condução do caso devem ocorrer. A expectativa é que ao menos um dos advogados atuais renuncie ao mandato, abrindo espaço para novos profissionais especializados em negociações com a PF. O banqueiro sabe que o cerco se fechou com as revelações sobre a rede de influência que o Banco Master mantinha nos Três Poderes, incluindo contratos milionários com escritórios ligados a familiares de magistrados e suspeitas de corrupção envolvendo ex-dirigentes do Banco Central.
*Fonte: Revista Oeste