GPA firma pedido de recuperação extrajudicial para dívida de R$ 4,5 bi

Gigante do varejo fecha acordo com principais credores nesta terça-feira, 10

O GPA, controlador da rede Pão de Açúcar, oficializou nesta terça-feira, 10, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar um passivo de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. A medida ocorre logo que a companhia obteve o sinal verde de seus principais credores, permitindo a apresentação de um plano de pagamento organizado. Segundo o varejista, o conselho de administração aprovou a manobra financeira de forma unânime para garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

A manobra estratégica recebeu o aval dos conselheiros em reunião realizada na sede da companhia em São Paulo. O plano foca exclusivamente em dívidas sem garantia e desvinculadas das atividades operacionais, o que blinda o funcionamento das mais de 700 lojas físicas instaladas em 11 estados e no Distrito Federal. A empresa sustenta que o movimento visa fortalecer o balanço e reposicionar a marca para o futuro sem interromper o atendimento aos 20 milhões de clientes cadastrados em seus programas de fidelidade.

Pressão de mercado e passivo bilionário

Embora o varejista apresente o plano como uma etapa de modernização, o pedido de socorro reflete a gravidade da asfixia financeira que atinge o grupo. Desde o início de 2026, as ações do GPA perderam quase 20% de seu valor de mercado, evidenciando o ceticismo de investidores diante da baixa geração de caixa e dos juros elevados. Além do passivo financeiro agora renegociado, a companhia carrega uma dívida tributária acumulada de aproximadamente R$ 16 bilhões, gargalo que compromete a rentabilidade das operações no Brasil.

O cenário de crise forçou a contratação da consultoria Alvarez & Marsal, especializada em reestruturações pesadas, para conduzir as tratativas. Paralelamente, o gigante francês Casino, detentor de 22,5% do capital, tenta vender sua participação há meses sem encontrar compradores interessados. A ausência de liquidez e o impasse sobre quem injetará capital novo no grupo tornam a renegociação dos R$ 4,5 bilhões apenas um alívio temporário dentro de um quadro de insolvência que analistas já antecipavam.

O varejista já garantiu a adesão de credores que detêm R$ 2,1 bilhões da dívida sujeita ao plano, montante equivalente a 46% do passivo total afetado. O índice supera com folga o quórum mínimo de um terço exigido pela Lei 11.101/2005 para o início do procedimento. Com a formalização do acordo, as obrigações da companhia junto aos credores envolvidos ficam suspensas por um período de 90 dias, criando um ambiente de estabilidade para que a administração solucione os desafios de liquidez de curto prazo.

Em seu comunicado, a diretoria do GPA enfatizou que a recuperação extrajudicial exclui expressamente obrigações correntes com fornecedores, parceiros e clientes. Além disso, o plano protege integralmente os direitos trabalhistas dos mais de 39 mil colaboradores do grupo, que não sofrerão impactos pela renegociação.

*Fonte: Revista Oeste