Malu Gaspar questiona pressão do STF por mudanças na PF

A postura da Corte consiste em tentativa de ampliar influência além do que lhe compete, segundo a jornalista

A jornalista Malu Gaspar questionou, nesta segunda-feira, 9, a postura de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa de mudanças na Polícia Federal (PF). A informação foi apresentada pela também jornalista Andreia Sadi, durante o programa Estúdio i, da GloboNews.

Segundo Sadi, há uma tentativa de articulação política para reduzir a tensão institucional em Brasília. “Esses bastidores aqui do Supremo, é o seguinte: eles estão buscando costurar esse acordo”, afirmou. “Toda hora eles estão buscando costurar um acordo.”

De acordo com Sadi, integrantes do STF fizeram chegar ao Executivo a avaliação de que a PF concentra poder excessivo e deveria passar por mudanças. “Eu ouvi de algumas fontes do Supremo o seguinte: ‘Você precisa fazer um ajuste na polícia’”, disse.

Ela acrescentou que qualquer solução política para a crise dependeria da participação do governo federal. “É balela achar que esse acordo, se sair qualquer acordo que seja, não vai ter o aval do Executivo”, afirmou, ao dizer que os Três Poderes estariam discutindo o tema para “baixar a temperatura em Brasília”.

Malu Gaspar reagiu às declarações e questionou se a solução sugerida envolveria interferência na direção da Polícia Federal, hoje comandada por Andrei Rodrigues. “Tirar o Andrei Rodrigues e botar um diretor da Polícia Federal amigo ou que se dobre aos interesses do Supremo? É esse o acordo?”

Malu Gaspar compara postura do STF a críticas a Bolsonaro

Ela também comparou a situação a críticas feitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu governo. “Quando o Bolsonaro queria mandar na Polícia Federal, era golpismo. Agora o Supremo quer mandar na Polícia Federal, chama como?”, afirmou.

Rolando Alexandre de Souza
Rolando Alexandre de Souza, delegado nomeado por Bolsonaro em maio de 2020 | Foto: Márcio Ferreira/Agência Alagoas

Malu se referiu à nomeação do delegado Rolando Alexandre Souza por Bolsonaro, em maio de 2020, ligada à saída do então ministro da Justiça Sergio Moro. O ex-presidente, entretanto tinha a prerrogativa legal de nomear o chefe da PF, segundo a Lei n° 9.266/96, aprovada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Na avaliação da jornalista, a movimentação indicaria insatisfação do tribunal com o trabalho da corporação. “Nós estamos falando de uma instituição querendo mandar na outra instituição porque não está contente com o avanço do trabalho correto que aquela instituição está fazendo”, disse.

Para Malu, a postura também revela uma tentativa de ampliar a influência institucional do Supremo. “Dá para entender que eles querem pairar acima de tudo e de todos, mas isso não é possível”, concluiu.

*Fonte: Revista Oeste