PF vincula ‘Careca do INSS’ a gastos pessoais do senador Weverton Rocha

Documentos revelam que lobista financiou peças e reparos de jatinho avaliado em R$ 2,8 milhões

A Polícia Federal (PF) consolidou novos indícios de que a estrutura financeira de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, servia diretamente aos interesses do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Conforme revelado pelo portal Metrópoles, o lobista utilizou contas de suas empresas, como a Acca Consultoria e a Prospect Consultoria, para custear a manutenção mensal da aeronave utilizada pelo vice-líder do governo Lula. Entre agosto e dezembro de 2024, o esquema teria repassado cerca de R$ 3 mil mensais ao Aeroclube do Maranhão para a compra de peças e serviços técnicos do jatinho Beech Aircraft modelo F90.

A investigação aponta que o senador usava o avião de R$ 2,8 milhões para realizar o trajeto entre o Maranhão e a capital federal, apesar de o bem não estar em seu nome. A apuração do portal detalha que o jatinho pertence formalmente à Air Connect SA, da empresária Joelma dos Santos Campos, mas a PF identificou um repasse de R$ 1 milhão feito pelo lobista à proprietária. Para os investigadores, a transação mascara uma sociedade oculta, na qual o senador operava como beneficiário final e o lobista como o braço financeiro do grupo criminoso.

Alvo de busca e apreensão

O suporte político oferecido por Weverton Rocha é descrito pela PF como o pilar que viabilizou o enriquecimento do “Careca do INSS” por meio de fraudes em descontos de segurados. Em dezembro de 2025, o parlamentar enfrentou mandados de busca e apreensão em seus endereços em Brasília e em São Luís, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O site Metrópoles informou que, na ocasião, a PF chegou a representar pela prisão do senador, classificando-o como “liderança” das atividades do lobista, embora o pedido tenha sofrido resistência da PGR e do ministro André Mendonça.

Mesmo diante das fotos que registram o parlamentar utilizando a aeronave, Weverton Rocha alega que apenas pegava “caronas” e nega qualquer proximidade com o lobista. O senador atribui as investigações a uma tentativa de vincular seu nome a desvios que ele afirma condenar. Contudo, a relação direta de seu suplente, Erik Marinho — marido da dona formal do jatinho —, com as empresas do “Careca do INSS” reforça a tese policial de que o grupo mantinha uma rede empresarial-política desenhada para sustentar gastos de luxo com dinheiro oriundo de fraudes previdenciárias.

*Fonte: Revista Oeste