As invasões ocorreram em Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Piauí e Tocantins
No início de março de 2026, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoveram uma nova rodada de invasões.
Sob a bandeira da chamada “Reforma Agrária Popular”, grupos ligados ao movimento organizaram ações coordenadas em diversas regiões do país, incluindo marchas, bloqueios e invasões de propriedades rurais.
Entre os dias 8 e 12 de março, o MST afirmou ter mobilizado mais de 15 mil participantes durante a chamada Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, realizada em 24 Estados e no Distrito Federal.
As atividades incluíram assembleias, atos políticos e invasões de áreas classificadas pelo movimento como latifúndios improdutivos.
Segundo o próprio MST, ao menos 14 propriedades foram alvo de invasões durante o período.
As ações ocorreram em Estados como Pernambuco — onde se concentraram sete ocupações — além de Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Piauí e Tocantins.
Segundo juristas, esse tipo de ação, frequentemente apresentado como forma de pressão política, viola o direito de propriedade e gera insegurança jurídica no campo.
✊🏽 Na Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, cerca de 300 famílias, em sua maioria mulheres, ocuparam terras da Samarco em Anchieta (ES), denunciando os 10 anos de impunidade pelo crime de Mariana e reivindicando o assentamento de 1.500 famílias acampadas no estado. pic.twitter.com/FgFBybdbHU
— MST Oficial (@MST_Oficial) March 13, 2026
🚩Mulheres Sem Terra desocuparam nesta terça (10) a linha férrea da Samarco em Tumiritinga (MG) após conquistas: reflorestamento de 2 mil hectares na Bacia do Rio Doce e indenizações às famílias atingidas. A luta por justiça segue, 10 anos após o crime socioambiental da mineração pic.twitter.com/CU7htNWBOy
— MST Oficial (@MST_Oficial) March 11, 2026
🚩Cerca de 400 mulheres do MST ocuparam nesta segunda (9) a Fazenda Santo Hilário, em Araguatins (TO), área de 2.462 ha marcada por violência e trabalho escravo. A terra já tem decisão do STF para Reforma Agrária. A ação cobra vistoria do Incra. pic.twitter.com/PhY0xBboXx
— MST Oficial (@MST_Oficial) March 9, 2026
Invasões
Na Região Amazônica, mulheres invadiram, em 9 de março, a Fazenda Santo Hilário, em Araguatins (TO), uma área de 2.462 hectares transferida à União em 2020, mas cuja posse permanecia irregular.
Segundo os invasores, o Incra não cumpriu o prazo de vistoria, e diversas famílias ligadas ao MST seguem aguardando assentamento.
Em Roraima, militantes participaram das manifestações do 8 de Março, cobrando políticas públicas para combater a violência de gênero.
Nordeste
No Nordeste, o grupo invadiu, em Palmeirais (PI), uma área da empresa Suzano; enquanto em Alagoas, mulheres do MST invadiram instalações da Mineração Vale Verde em Craíbas.
Mobilizações em Maceió reuniram a militância do campo e da cidade. Em Sergipe, segundo o MST, centenas de militantes marcharam em Aracaju, apresentando demandas ao Incra.
Pernambuco registrou sete invasões, e no Rio Grande do Norte, dezenas de militantes protestaram em rodovias.
Na Bahia, plenárias e caminhadas reuniram centenas de mulheres em diferentes municípios, de acordo com dados do MST. Na Paraíba, uma feira agroecológica e debates sobre violência de gênero integraram as ações. O Ceará contou com ato na capital e seminário estadual.
Centro-Oeste
Militantes ocuparam uma área de 8 mil hectares da Companhia Bioenergética Brasileira em Vila Boa, no interior de Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, o grupo promoveu assembleias em acampamentos do MST.
Em Brasília, uma comissão entregou reivindicações do movimento feminista à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em 5 de março.
Norte
No Acre, dezenas de mulheres se engajaram em atos no acampamento Chico Mendes, em Brasiléia.
Em Rondônia, dezenas de militantes protestaram em Porto Velho e protocolaram reivindicações ao governo estadual.
Sudeste
Na Região Sudeste, os militantes bloquearam trilhos da Estrada de Ferro Vitória–Minas, em Tumiritinga (MG).
Depois de 30 horas de paralisação e negociação, a mineradora Samarco comprometeu-se a reflorestar 2 mil hectares e incluir 1,2 mil famílias nas indenizações pelo desastre de Brumadinho.
No Espírito Santo, o grupo invadiu uma área da Samarco em Anchieta. Em São Paulo, os militantes ocuparam a Fazenda Santo Antônio, em Presidente Epitácio.
A Polícia Militar realizou despejo na manhã do mesmo dia. Na capital, algumas mulheres participaram de manifestação na Avenida Paulista.
Sul
No Sul, o grupo ocupou uma área de 400 hectares da Fepagro em São Gabriel (RS). Uma comissão do MST foi recebida pelo secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, e pelo superintendente do Incra-RS, Nelson Grasselli.
No Paraná, mulheres marcharam em Rio Bonito do Iguaçu. Em Santa Catarina, o grupo participou de um seminário na Assembleia Legislativa sobre enfrentamento ao feminicídio e violência contra a vida das mulheres.
*Fonte: Revista Oeste