Ministro das Relações Exteriores presta esclarecimentos sobre o posicionamento do Brasil na guerra
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado realiza uma audiência com o ministro das Relações Exteriores (Itamaraty), Mauro Vieira, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio e à crescente preocupação com brasileiros na região.
A ida de Mauro Vieira à comissão na manhã desta quarta-feira, 18, partiu do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que tem recebido relatos de cidadãos impedidos de deixar áreas afetadas pela instabilidade.
“Já recebi dezenas de manifestações de brasileiros que estão ilhados em um desses países sem conseguir retornar ao Brasil. Situação desesperadora”, afirmou o parlamentar.

A audiência ocorre em um momento de agravamento do cenário internacional, com aumento das tensões envolvendo países do Golfo e ataques que, segundo relatos diplomáticos, atingiram estruturas civis.
Embaixadores da região também procuraram o Senado para alertar sobre o risco de expansão do conflito e seus efeitos globais.
Senadores querem explicações de Mauro Vieira

A expectativa dos senadores é que o chanceler apresente detalhes sobre a atuação do Itamaraty, especialmente no que diz respeito às medidas de assistência consular e aos planos de retirada ou apoio a brasileiros que vivem ou estão em trânsito na região.
Além do aspecto humanitário, o conflito também levanta preocupações econômicas. A vice-presidente da comissão, senadora Tereza Cristina (PP-MS), destacou a relevância estratégica do Oriente Médio para o comércio exterior brasileiro.
Dados recentes apontam que o Brasil exportou cerca de US$ 12,4 bilhões em produtos agrícolas para países da região em 2025, o que representa aproximadamente 7,4% das exportações nacionais. A instabilidade pode afetar diretamente cadeias de abastecimento, sobretudo em energia e fertilizantes.
O senador Nelsinho Trad também chamou atenção para a importância geopolítica do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural.
“Qualquer tensão na região pode elevar custos de frete, combustíveis e insumos, com reflexos diretos no agronegócio”, alertou.
A audiência com Mauro Vieira deve abordar ainda o posicionamento diplomático do Brasil diante do conflito e os impactos para a segurança energética e comercial do país.
*Fonte: Revista Oeste