Petista articula saída temporária de ministro e busca conter impacto político sobre a Corte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a atuar nos bastidores para tentar afastar o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o jornal O Globo, que divulgou as informações nesta quarta-feira, 18, interlocutores relatam que o petista tem incentivado pessoas próximas ao magistrado a convencê-lo a pedir licença sob alegação de saúde.
A estratégia inclui, no médio prazo, uma saída definitiva da Corte. Lula avalia que novas informações sobre a relação de Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda podem vir a público.
No entanto, o magistrado mantém posição contrária ao afastamento. Conforme O Globo, o ministrou disse a interlocutores que não pretende deixar o cargo e que não há risco de surgirem novos fatos além dos já apresentados.
O material citado foi encaminhado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro. O documento menciona transações entre Toffoli e o grupo de Vorcaro, que pagou R$ 35 milhões por participação em um resort do qual o ministro é sócio.
Lula tenta conter crise e proteger Alexandre de Moraes
Diante da repercussão, Toffoli abriu mão da relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Mesmo assim, Fachin arquivou o processo que discutia a suspeição do ministro. Ele pode permanecer no STF até 2042, quando completa 75 anos.
Lula sustenta, nos bastidores, que um eventual afastamento do ministro ajudaria a reduzir a pressão sobre a Corte. A avaliação inclui também a tentativa de proteger Alexandre de Moraes, que enfrenta questionamentos no mesmo contexto.
Moraes aparece no centro da crise em razão de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci. Além disso, vieram à tona mensagens trocadas com Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro.
Aliados relatam que Lula considera essencial preservar Moraes por dois motivos. O primeiro envolve a condução de processos ligados à suposta trama golpista, que resultaram na condenação de Jair Bolsonaro.
O segundo ponto está ligado à associação política entre o governo e o ministro, o que, na avaliação de Lula, amplia o risco de desgaste direto para o Planalto. Moraes deve assumir a presidência do STF a partir de setembro de 2027. Caso Lula vença a eleição, o ministro comandará a Corte durante o novo mandato.
*Fonte: Revista Oeste