Presidente aproveita evento para oficializar troca no comando da Fazenda e acusar o atual governador de negligenciar prefeitos
O Palácio do Planalto deflagrou oficialmente a ofensiva para retomar o controle do governo de São Paulo. Durante a abertura da Caravana Federativa na zona norte da capital, nesta quinta-feira, 19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda. O movimento sela a estratégia de lançar o agora ex-ministro como o nome do PT para enfrentar Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas urnas. Para ocupar a vaga deixada na equipe econômica, o governo apresentou Dario Durigan, que até então atuava como braço direito de Haddad na pasta.
Lula não poupou provocações ao atual mandatário do Palácio dos Bandeirantes. Sem mencionar o nome de Tarcísio diretamente, o petista afirmou que os gestores municipais de São Paulo enfrentam dificuldades de interlocução com a administração estadual. “Os prefeitos paulistas são pouco e mal recebidos pelo governo do Estado”, disparou. Ele incentivou os políticos locais a manterem uma postura combativa e a cobrarem investimentos tanto da União quanto do Estado, reforçando a narrativa de que o governo federal está de portas abertas enquanto o estadual se mantém isolado.
Dança das cadeiras e novo palanque
A consolidação da chapa petista deve ganhar contornos definitivos em um ato simbólico no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Haddad, que resistiu ao convite por meses sob a justificativa de que preferia coordenar a tentativa de reeleição de Lula, cedeu à pressão do padrinho político. O presidente exaltou a gestão do aliado na Fazenda, classificando-o como o ministro mais bem-sucedido da história do país devido à aprovação da reforma tributária. O vice-presidente Geraldo Alckmin também endossou a escolha, destacando a “coragem da moderação” do novo pré-candidato.
O xadrez eleitoral do PT em solo paulista pode envolver ainda outros nomes do primeiro escalão. O governo sinaliza o desejo de projetar a ministra Simone Tebet para uma disputa ao Senado por São Paulo. O plano exigiria que Tebet transferisse seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul e possivelmente trocasse o MDB pelo PSB, partido que integra a base de apoio lulista. A intenção é formar um palanque robusto para confrontar o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado.
*Fonte: Revista Oeste