A sinalização do senador Wellington Fagundes (PL) de abrir espaço para uma possível coligação com o MDB na disputa ao Senado passou a ser vista como um movimento de alto risco dentro de um estado onde o eleitorado é majoritariamente conservador.
A articulação ocorre em um cenário político sensível: enquanto o PL se posiciona nacionalmente como representante da direita, o MDB mantém participação direta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com presença na Esplanada dos Ministérios e alinhamento em pautas estratégicas.
A possível composição, que inclui a nora de Wellington Fagundes, a deputada Janaina Riva (MDB) como opção para a segunda vaga ao Senado, gerou reação imediata entre lideranças do PL, especialmente em municípios onde MDB e PL estiveram em lados opostos nas últimas eleições.
Nos bastidores, o movimento é apontado como fator de desgaste político dentro do partido. Prefeitos e lideranças locais, que recentemente enfrentaram o MDB em disputas diretas, demonstram resistência à reaproximação.
O cenário descrito por interlocutores do partido indica perda de engajamento e distanciamento de parte da base, justamente em um momento pré-eleitoral considerado decisivo.
Aliados de Jair Bolsonaro reforçam que a pré-candidatura de Medeiros ao Senado é associada diretamente ao projeto político de Bolsonaro. “O presidente Jair Bolsonaro deixou muito claro qual é o projeto para Mato Grosso: fortalecer o Senado. E o nome dele para isso é o do José Medeiros”, disse Thiago Boava.
MDB no governo federal
O MDB integra atualmente a base do governo federal, ocupando ministérios e participando de decisões estratégicas. Além disso, parlamentares da sigla têm se posicionado em pautas alinhadas ao governo, incluindo manifestações recentes no Senado, como o apoio do senador Alessandro Vieira à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Esse histórico recente reforça o contraste político que tem sido apontado por lideranças do PL como um dos principais pontos de tensão na possível coligação.
Outro fator observado é o impacto direto no eleitorado. Mato Grosso foi um dos estados com maior votação proporcional em candidaturas alinhadas à direita nas últimas eleições, o que torna qualquer movimento fora desse eixo um ponto de atenção estratégica.
A construção de alianças fora desse campo pode provocar fragmentação eleitoral, redução de engajamento e dificuldades na consolidação de uma base unificada.
Wellington Fagundes afirma que as decisões sobre alianças passam por articulações nacionais, envolvendo lideranças como Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
Apesar disso, o cenário segue indefinido até as convenções partidárias, com pressão crescente de bases locais e repercussão direta no ambiente político estadual.