Encontro ocorreu um dia depois da entrega dos anexos da proposta de delação do dono do Banco Master à PF e à PGR
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano Marques se reuniu nesta quarta-feira, 6, em um hotel de Brasília, com o advogado José Luís Oliveira Lima, defensor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no inquérito que investiga o caso do Banco Master.
O encontro ocorreu no B Hotel, em Brasília, um dia depois de a defesa concluir os anexos da proposta de delação premiada apresentada aos investigadores. O ministro e o advogado teriam deixado o local separadamente e em horários distintos.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Floriano confirmou a conversa com o advogado, mas negou ter tratado do conteúdo da colaboração. Segundo o ministro, os dois mantêm relação pessoal há cerca de duas décadas e se encontraram casualmente no hotel onde ele está hospedado, na região central da capital federal.

“Eu realmente confesso a você que não perguntei nada sobre isso. Eu confesso a você que fui conversar com um amigo”, afirmou o magistrado. “Uma pessoa que eu conheço há 20 anos. Amigo de longa data. Já trabalhamos juntos.”
Segundo ele, Juca comentou que havia entregue a proposta de delação no dia anterior. “Eu obviamente falei: ‘Puxa vida, que coisa’. Mas eu realmente não tenho nenhum assunto a tratar sobre isso, porque não tenho nada a ver com o Master.”
O advogado também minimizou o episódio. De acordo com Juca, o encontro aconteceu depois de ele deixar a academia do hotel e durou menos de cinco minutos. “É uma leviandade insinuar que os dois discutiram a delação”, declarou.

Floriano Marques integra o TSE desde 2023. A indicação ao tribunal foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sugestão direta de Moraes, com quem o ministro atua na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Em 2025, quando a ministra Cármen Lúcia defendeu a ideia de que uma das vagas da Corte Eleitoral fosse ocupada por uma mulher, Moraes optou por manter Floriano no cargo, em vez de apoiar a indicação do jurista André Ramos Tavares, outro nome ligado ao ministro do STF.

Anexos da delação de Vorcaro estão prontos
A proposta de colaboração de Vorcaro foi entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) com anexos que detalham diferentes episódios investigados, incluindo a indicação de pessoas envolvidas e elementos de prova.
Nos bastidores, há expectativa de que o banqueiro apresente informações sobre sua relação com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o ministro Alexandre de Moraes. O banqueiro mantinha contato frequente com Moraes e contratou a mulher do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes.
O Master pagou cerca de R$ 80 milhões ao escritório da advogada ao longo de 22 meses de contrato, média superior a R$ 3,6 milhões por mês. Dados da Receita Federal revelariam que os valores eram significativamente superiores aos recebidos por outros escritórios que atuaram em causas do banco.
*Fonte: Revista Oeste