Aliada de Lula na PB aparece em esquema que desviou R$ 10 mi de programa alimentar

Pollyana Werton é ex-secretária de Desenvolvimento Humano do governo de João Azevêdo (PSB), no Estado

O Ministério Público da Paraíba, por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou uma nova denúncia no âmbito da Operação Indignus. A ação apura suspeitas de desvio de recursos públicos no programa estadual Prato Cheio, destinado a distribuir refeições para pessoas em situação de rua em cinco cidades paraibanas.

Entre os denunciados está Pollyanna Werton, ex-secretária de Desenvolvimento Humano do governo João Azevêdo (PSB), e aliada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba. Werton, que já passou pelo PT e pelo PSB, concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados neste ano. Em 2022, depois da vitória de Lula, Pollyana Werton chegou a afirmar que o vice-presidente Geraldo Alckmin a indicou para um cargo em Brasília na gestão petista, mas Pollyana seguiu à frente da pasta em seu Estado.

Segundo o MP, ela teria recebido R$ 70 mil em propina. As provas apontadas pelos investigadores são cadernos de anotações apreendidos e conversas identificadas em aplicativo de mensagens, conforme revelou a coluna Pleno Poder, do Jornal da Paraíba.

Pollyana Werton, ex-governador João Azevêdo (PSB) e Lula | Foto: Divulgação
Pollyana Werton, ex-governador João Azevêdo (PSB) e Lula | Foto: Divulgação

A denúncia, protocolada em 29 de abril, demonstra desvios de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2023. Um grupo de empresas de um mesmo núcleo familiar, controlado pelo empresário Kildenn Tadeu de Lucena, teria sido o principal beneficiário do esquema.

O rombo se escondia atrás de um programa social

O rombo se escondia atrás de um programa social. O Prato Cheio previa a entrega de 4 mil refeições diárias em João Pessoa. Na prática, segundo depoimentos de ex-funcionárias, apenas 1,5 mil eram entregues. O pagamento integral dos contratos, no entanto, era realizado normalmente.

Ao todo, 16 termos de colaboração movimentaram cerca de R$ 21,6 milhões no período. O Gaeco pede reparação de R$ 30 milhões — R$ 10,3 milhões pelos desvios e R$ 20 milhões por dano coletivo.

Também são denunciados o ex-secretário Tibério Limeira (PSB), apontado como receptor de R$ 50 mil em propina, o padre Egídio de Carvalho, ex-diretoras do Hospital Padre Zé, um servidor público e o empresário Kildenn. O MP imputa os crimes de peculato, falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva.

A assessoria de Pollyana Werton foi procurada pela imprensa, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. Já Tibério Limeira, também citado na denúncia, divulgou uma nota em que afirma ser “profundamente preocupante que, em um Estado Democrático de Direito, um cidadão seja exposto publicamente antes mesmo de exercer plenamente o seu direito constitucional de defesa. Mais grave ainda é constatar que jamais fui chamado para prestar esclarecimentos em qualquer fase investigativa relacionada aos fatos agora divulgados”.

*Fonte: Revista Oeste