PF descobre aliança entre o PCC e grandes traficantes europeus

A Operação Narco Sky revelou que um sérvio procurado pela Interpol financiava remessas de cocaína a partir do Porto de Santos

A Polícia Federal (PF) descobriu uma conexão direta entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e alguns dos barões do crime mais procurados do planeta. A Operação Narco Sky, deflagrada nesta terça-feira, 2, revelou que o meganarcotraficante sérvio Antum Mrdeza, conhecido pelo codinome Nikolas Boro, financiava um núcleo da facção brasileira para exportar cocaína. O criminoso estrangeiro figura na lista vermelha de capturas da Interpol. As informações foram divulgadas portal Metrópoles.

Os investigadores da PF interceptaram conversas mantidas por meio do aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC. Os diálogos mostram que o sérvio e o comparsa Alejandro Salgado Vega, o El Tigre, negociavam carregamentos de grande porte diretamente com o brasileiro Marco Aurélio de Souza, o Lelinho. A polícia espanhola já havia apreendido duas toneladas de cocaína enviadas pelo grupo para a cidade de Aldea de San Nicolás.

Frota de lanchas e veleiros cruzavam o Atlântico

O traficante brasileiro comandava o braço marítimo do cartel e agia na Baixada Santista, no litoral paulista, pelo menos desde 2020. O criminoso utilizava uma empresa de comércio exterior registrada em nome de um testa de ferro para ocultar a movimentação ilícita nos portos. O esquema funcionava em duas etapas, com lanchas rápidas que levavam os tabletes de droga até veleiros de alto-mar encarregados de fazer a travessia pelo Oceano Atlântico.

A PF já havia prendido o empresário no ano passado, com a deflagração da Operação Narco Vela. A análise dos telefones celulares apreendidos naquela fase revelou que o brasileiro não era um operador menor, mas, sim, um parceiro comercial dos europeus. Em uma das investidas mapeadas pelos agentes federais, a quadrilha conseguiu esconder 500 quilos de cocaína dentro do navio cargueiro Panorea, que estava atracado no Porto de Santos.

Investigação mapeia lavagem de dinheiro no litoral

Os relatórios policiais revelam que o sérvio Antum Mrdeza funcionava como a mente financeira por trás das operações marítimas em parceria com o PCC. O estrangeiro injetava recursos para a compra de barcos e o pagamento de propinas, garantindo o fluxo constante de entorpecentes para o continente europeu. Os agentes identificaram pelo menos quatro grandes remessas de entorpecentes que contaram com o apoio de estruturas empresariais legítimas para despistar a fiscalização alfandegária.

A nova fase da investigação busca congelar os bens e identificar novos bens ocultos adquiridos pela organização criminosa no litoral de São Paulo. A PF trabalha em conjunto com agências internacionais para localizar o paradeiro do sérvio e do traficante mexicano. A Justiça Federal determinou a quebra dos sigilos bancários de todas as firmas de fachada ligadas ao empresário brasileiro para rastrear o caminho do dinheiro do tráfico.

*Fonte: Revista Oeste