Advogado-geral da União mencionou frase cristã ao ser indagado durante 34ª Marcha para Jesus, em São Paulo
O advogado-geral da União, Jorge Messias, evitou responder diretamente a uma pergunta sobre os presos do 8 de janeiro durante a 34ª Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira, 4, em São Paulo.
Em entrevista coletiva, enquanto defendia uma agenda de “pacificação” e mencionava os ensinamentos de Cristo, Messias foi questionado se os condenados pelos atos do 8 de janeiro também mereciam esse tratamento. Sem responder diretamente, afirmou que “justiça sem misericórdia é tirania, e misericórdia sem justiça é complacência”.
“A Bíblia fala que a justiça anda ao lado da misericórdia”, respondeu Messias. “Justiça sem misericórdia é tirania, e misericórdia sem justiça é complacência. Para tudo é necessário equilíbrio.”
Messias foi enviado ao evento no lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que optou por não comparecer à Marcha para Jesus pelo quarto ano consecutivo. Desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023, o petista não participou de nenhuma edição do encontro. O advogado-geral da União representou oficialmente
o presidente na cerimônia. O governo não apresentou justificativa para a ausência.

Em outro momento da entrevista, em resposta a uma pergunta de Oeste sobre seus planos para o futuro, Messias respondeu: “O homem faz planos, mas o plano de Deus surpreende e é perfeito. Tenho colocado a minha vida inteiramente nas mãos de Deus, e todo o propósito de Deus vai se cumprir”.
A presença de Messias como representante de Lula na Marcha para Jesus também carrega peso político. Trata-se de uma das primeiras aparições públicas do advogado-geral da União desde o revés sofrido em sua tentativa de chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).
André Mendonça defende liberdade total de imprensa
Messias tem trânsito entre lideranças evangélicas por frequentar a Igreja Batista desde a infância e por ter recebido apoio de bispos durante sua tentativa de ingressar no STF. Sua indicação foi defendida publicamente pelo ministro André Mendonça, nomeado para a Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e conhecido pela expressão “terrivelmente evangélico”. Este último também participou da Marcha para Jesus e conversou com a reportagem.
Na entrevista, Mendonça evitou entrar em polêmicas. O ministro afirmou que o dia era dedicado a “louvar a Deus” e elogiou o trabalho dos jornalistas. Ao comentar o papel dos veículos de comunicação, disse que uma sociedade democrática e livre depende da liberdade de imprensa.

Pesquisa consolida rejeição a Lula no meio evangélico
A ausência de Lula reflete a distância entre o petista e os evangélicos, grupo que representa mais de 25% da população brasileira e segue em crescimento. As pesquisas de intenção de voto indicam o isolamento do governo federal neste nicho. Levantamento do instituto Meio/Ideia, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026 entre os dias 23 e 27 de maio, mostra a consolidação da rejeição ao atual presidente.
Em eventual cenário de segundo turno entre eleitores evangélicos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 66,6% das intenções de voto, ante 65,8% na sondagem anterior. Lula registra 22,9%, abaixo dos 24,2% do levantamento precedente.
*Fonte: Revista Oeste