O Brasil ganhou 1,5 milhão de novos negócios negativados em apenas 12 meses
A inadimplência das empresas brasileiras atingiu o maior nível da história em abril de 2026. O país registrou 9 milhões de Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs) negativados no período, o pior patamar da série iniciada em janeiro de 2016 pela Serasa Experian. O volume representa uma alta de 1,5 milhão de novos negócios na lista de calotes em comparação com abril do ano passado, quando o indicador marcava 7,5 milhões.
O montante total das contas atrasadas bateu o recorde de R$ 220,9 bilhões no quarto mês do ano. Cada empresa devedora acumula uma média de 7,1 boletos sem pagamento. O valor médio das pendências financeiras por CNPJ ficou em R$ 24.665,91. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirmou que a perda de faturamento e os juros elevados devem gerar novos recordes ao longo de 2026.
Caixa das companhias abertas seca com taxa a 14,5%
A taxa básica de juros da economia brasileira se mantém em 14,5% ao ano, mesmo depois de duas reduções seguidas de 0,25 ponto percentual feitas pelo Banco Central. O custo do dinheiro encarece os empréstimos para capital de giro e trava os investimentos produtivos. Divulgado pelo jornal, um estudo da consultoria RK Partners com 282 empresas listadas na Bolsa de Valores revelou que 24% delas não geram caixa suficiente nem para pagar os juros de suas dívidas.
Os pequenos negócios lideram as estatísticas negativas. As micro e pequenas empresas somam 8,5 milhões dos CNPJs negativados no país, com uma fatia de R$ 191,8 bilhões do bolo total das dívidas. O segmento de comércio responde por 32,4% dos calotes, seguido pela indústria com 8,1% e pelo setor primário com 0,9%. O setor de serviços lidera o ranking geral e concentra 55,6% das empresas devedoras.
Região Sudeste lidera o volume de inadimplentes no país
O Sudeste concentra a maior quantidade de CNPJs com problemas financeiros devido à densidade econômica da região. O Estado de São Paulo lidera a lista nacional e registra 3.076.064 empresas com contas atrasadas. Minas Gerais ocupa o segundo posto com 881.652 estabelecimentos negativados, seguido de perto pelo Rio de Janeiro, com 864.722. Na região Sul, o Paraná aparece com 588.935 casos e o Rio Grande do Sul soma 518.195.
As dívidas com prestadores de serviços representam o maior peso na origem dos calotes, com 31,7% das ocorrências. O atraso em parcelas de bancos e cartões de crédito aparece logo na sequência, com uma fatia de 19,4%. As cooperativas somam 8,6%, as contas de água e luz respondem por 7,0% e os contratos de telefonia encerram a lista com 5,7% das queixas registradas.
*Fonte: Revista Oeste