Caso ultrapasse o limite anual estabelecido por Pequim, produto brasileiro passará a pagar tarifa de 55%
O Ministério do Comércio da China informou que o Brasil já atingiu 80% da cota anual de exportação de carne bovina estabelecida por Pequim para 2026. Caso o limite de 1,1 milhão de toneladas seja ultrapassado, as exportações brasileiras estarão sujeitas a uma tarifa de 55%, conforme a medida de salvaguarda adotada pelo país asiático.
Segundo representantes do setor, porém, a cota pode estar ainda mais próxima do esgotamento. Isso porque os cálculos do governo chinês não consideram cargas que já foram embarcadas no Brasil, mas ainda não chegaram aos portos da China.
A salvaguarda entrou em vigor em janeiro e terá validade de três anos. Em 2025, a China respondeu por 48% das exportações brasileiras de carne bovina, com a compra de 1,6 milhão de toneladas, movimentando US$ 8,9 bilhões.
Diante do risco de atingir o limite, o governo brasileiro tenta negociar com Pequim a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países, mas, até o momento, não obteve sucesso.
Setor de carnes quer diminuir exportações para a China em 10%

As exportações para a China aceleraram-se no primeiro semestre para evitar uma sobretaxa. O setor projeta encerrar 2026 com queda de 10% nos embarques totais em relação aos 3,5 milhões de toneladas exportados em 2025.
Os dados foram divulgados dias depois de uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder chinês, Xi Jinping, que discutiram temas comerciais, incluindo o acordo entre China e Mercosul.
Não há confirmação de que a questão da carne bovina tenha sido tratada. Enquanto isso, o governo busca ampliar mercados para reduzir a dependência da China, embora o setor avalie que nenhum outro comprador tenha capacidade para absorver o volume atualmente destinado ao país asiático.
*Fonte: Revista Oeste