Senador passou a defender afastamento de ministros em setembro deste ano; pedidos protocolados nos últimos anos, porém, registram participação de José Medeiros e não de Fávaro
O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), candidato à reeleição, afirmou durante a campanha eleitoral que não possui “ministro de estimação” no Supremo Tribunal Federal (STF) e que integrantes da Corte que tenham cometido ilegalidades devem enfrentar processos de impeachment.
A declaração foi feita ao comentar matérias sobre um vazamento de áudio do deputado federal José Medeiros (PL-MT), também candidato ao Senado. Fávaro afirmou ainda ter sido “um dos primeiros candidatos ao Senado” a se posicionar após as recentes denúncias envolvendo integrantes do Supremo.
Uma consulta aos pedidos de impeachment protocolados no Senado nos últimos anos, entretanto, mostra uma diferença entre o posicionamento recente de Fávaro e sua participação formal nesse tipo de iniciativa.
Em 2023, por exemplo, a PET 11/2023 pediu o impeachment do ministro Luís Roberto Barroso. O requerimento reuniu dezenas de parlamentares, entre eles José Medeiros. Carlos Fávaro não consta na relação de autores registrada pelo Senado.
Medeiros também aparece como autor individual da PET 12/2022, representação apresentada contra o ministro Alexandre de Moraes com fundamento na Lei dos Crimes de Responsabilidade. O registro oficial do Senado identifica expressamente o parlamentar mato-grossense como autor da iniciativa.
O documento anexado à reportagem traz outro exemplo mais recente. Em pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes apresentado por dezenas de deputados, Medeiros aparece nominalmente entre os parlamentares responsáveis pela denúncia. O documento formaliza uma “denúncia por crime de responsabilidade — impeachment” contra o ministro.
Fávaro era contrário ao impeachment em 2025
O histórico público de Fávaro também passou por uma mudança.
Em agosto de 2025, quando a oposição contabilizava assinaturas favoráveis ao impeachment de Alexandre de Moraes, a Folha de S.Paulo informou que Fávaro era contrário ao afastamento do ministro. A assinatura atribuída à cadeira de Mato Grosso era de sua suplente, Margareth Buzetti, e deixava de ser contabilizada quando o titular reassumia o mandato.

Buzetti confirmou posteriormente que havia aderido ao pedido durante o período em que ocupava a cadeira de Fávaro.
A posição do senador mudou em setembro deste ano. Depois da divulgação de informações da Polícia Federal relacionadas ao caso Banco Master, Fávaro afirmou que Moraes deveria prestar esclarecimentos, renunciar ou, caso nenhuma das duas coisas ocorresse, enfrentar a abertura de um processo de impeachment no Senado.
Assim, os registros consultados mostram duas trajetórias distintas: Medeiros participou formalmente de pedidos de impeachment contra integrantes do STF ao longo dos últimos anos; Fávaro não aparece nos requerimentos examinados e, em 2025, tinha posição contrária ao afastamento de Moraes. Seu posicionamento público favorável à possibilidade de impeachment aparece nos registros encontrados a partir de setembro de 2026.