Votação de Lula cai em cidades mais dependentes do Bolsa Família

Nos municípios mais fortemente influenciados pelo programa, a votação do petista recuou de 71,5% para 68,7% entre 2022 e 2026

O resultado do primeiro turno das eleições gerais, realizado no domingo 4, apontou uma queda na votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato a um novo mandato, em algumas das cidades brasileiras mais dependentes do Bolsa Família, o maior programa social e de transferência de renda do governo petista. 

Nesses municípios que estão mais fortemente influenciados pelo Bolsa Família, a votação de Lula recuou de 71,5% para 68,7%, em comparação com a eleição de 2022, vencida pelo atual presidente. O levantamento é do UOL, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Por outro lado, a votação do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto, aumentou em relação àquela obtida por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no pleito de quatro anos atrás. Em 2022, Bolsonaro marcou 23,5% da preferência do eleitorado nessas cidades. Agora, Flávio obteve 27,3% dos votos. 

Para chegar a esses números, o levantamento cruzou dados como a quantidade de votos de todos os candidatos à Presidência nas últimas três eleições nacionais, a população de cada município e o número de beneficiários do Bolsa Família. 

Foram considerados altamente dependentes do programa as cidades com 50% ou mais beneficiários em relação ao total da população. As outras categorias são de média dependência (25% a 50% de beneficiários) e baixa dependência (menos de 25%). 

Nas eleições deste ano, as cidades classificadas como altamente dependentes do Bolsa Família representaram 14,4% dos votos válidos no país. Por outro lado, os municípios com pouca dependência do programa correspondem a 59,1%.

No primeiro turno do pleito, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões) em todo o país. O petista, por sua vez, obteve 45,16% (53,8 milhões). O segundo turno da disputa presidencial acontece no dia 25 de outubro.  

Reajuste no Bolsa Família às vésperas da eleição

A diminuição da votação de Lula entre as cidades mais dependentes do Bolsa Família foi registrada semanas depois de o presidente ter anunciado um reajuste de 15% nos benefícios do programa, em 17 de setembro. A medida foi duramente criticada pela oposição, por seu caráter eleitoral, e por economistas e amplos setores do mercado, pelo impacto sobre as contas públicas. 

Na ocasião, a apenas 17 dias do primeiro turno, o governo Lula aumentou o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, passou de R$ 675 para R$ 777.

O piso de R$ 600 do Bolsa Família foi estabelecido durante o governo de Jair Bolsonaro. Na época, houve uma transição do Auxílio Emergência, criado na pandemia de covid-19, para o Auxílio Brasil – que mais tarde voltaria a se chamar Bolsa Família, já sob Lula.

De acordo com estimativas do Ministério do Planejamento, o impacto é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. Segundo o governo, o reajuste corresponde a uma recomposição da inflação do início do governo Lula de 2023 até agosto de 2026.

Em agosto, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional a proposta orçamentária para 2027 sem incluir nenhum reajuste nos valores do Bolsa Família.

Para ter acesso ao benefício do programa, a pessoa deve ter renda mensal de até R$ 218 e o Cadastro Único para todos os membros da família precisa estar atualizado. Também é necessário cumprir requisitos de saúde e educação. Em agosto de 2026, o governo Lula pagou o benefício para cerca de 19,3 milhões de famílias no Brasil.

Além do piso de R$ 600, o Bolsa Família oferece benefícios adicionais como os valores de R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestante; R$ 50 por jovem entre 7 e 18 anos incompletos; e R$ 50 por bebê de até 6 meses.

*Fonte: Revista Oeste