Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no 2º tri, diz Serasa

O agronegócio brasileiro registrou queda no número de pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, de acordo com análise da Serasa Experian.

Agronegócio somou 448 pedidos de recuperação judicial no 2º trimestre de 2026, queda de 20,7% em um ano, segundo análise da Serasa ExperianImagem: Unsplash

O que aconteceu

A Serasa Experian contabilizou 448 pedidos de recuperação judicial no agronegócio no segundo trimestre. O total representa queda de 20,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, na primeira retração para um segundo trimestre desde 2022.

O indicador também recuou em relação ao primeiro trimestre de 2026. As solicitações somaram 474 entre janeiro e março, o que indica baixa de 5,5% no trimestre seguinte.

A Serasa diz que a desaceleração precisa ser lida com cautela. Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a retração pode ter relação com maior entrada de receitas para parte dos produtores, com a sazonalidade do setor e com o avanço de renegociações com credores.

Pimenta afirma que ainda é cedo para concluir que a tendência vai se manter. Ele disse que é importante acompanhar se a redução será sustentada nos próximos trimestres e apontou que o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo.

Mato Grosso liderou o número de pedidos de recuperação judicial entre os Estados no período. O Estado somou 107 registros, seguido por Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42).

Quem mais pediu recuperação judicial

O cultivo de soja concentrou o maior número de solicitações por atividade. Foram 70 pedidos no trimestre, seguido pela criação de bovinos, com 28, de acordo com a Serasa.

Os pedidos de produtores rurais pessoa física caíram 10,5% em um ano. No segundo trimestre, foram 197 solicitações, enquanto os pedidos de produtores pessoa jurídica recuaram 34,2%, para 160.

Produtores classificados como sem propriedades concentraram a maior parte dos pedidos por porte. Esse grupo, que pode incluir arrendatários, somou 70 solicitações, seguido por grandes proprietários (51), pequenos proprietários (39) e médios proprietários (37).

*Fonte: UOL