Gabinete de Moraes responde a Tagliaferro: ‘Tudo está nos autos oficiais’

Ex-assessor do ministro afirmou ao Senado que autoridades combinaram alvos e criaram documentos retroativos contra empresários da direita

Depois de acusações públicas feitas por Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, o gabinete do magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta terça-feira, 2, que os procedimentos referentes às investigações sobre milícias digitais e desinformação obedeceram às normas legais e estão devidamente registrados nos autos oficiais.

Tagliaferro, atualmente na Itália e alvo de pedido de extradição, apresentou suas denúncias em depoimento à Comissão de Segurança do Senado, também nesta terça-feira. Segundo ele, Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teriam combinado previamente os alvos das investigações e elaborado documentos retroativos para justificar operações contra empresários ligados à direita. O ex-assessor anexou arquivos e mensagens que, segundo seu relato, comprovariam as acusações.

Depoimento de Tagliaferro na íntegra, durante debate na Comissão de Segurança Pública do Senado.

Resposta do gabinete de Alexandre de Moraes

Por meio de nota, o gabinete de Moraes afirmou que todas as requisições feitas a órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seguiram as normas regimentais e o poder de polícia do tribunal em casos de crimes, como tentativa de golpe de Estado e ataques a instituições democráticas. O texto esclarece que relatórios apenas descreveram postagens consideradas ilícitas e que tais documentos foram encaminhados à Polícia Federal, com ciência da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O gabinete destacou ainda que, no caso da Petição 10.543, que investigou o financiamento de manifestações no 7 de setembro, o procedimento foi igual aos anteriores. “Depois da decisão do Ministro relator, em 19 de agosto, foi solicitado relatório para o TSE, que foi juntado aos autos no dia 29 de agosto, tendo sido dada vista imediata às partes”, afirmou o gabinete de Moraes ao jornal Gazeta do Povo. “O recurso da PGR não foi conhecido pelo STF, em 9 de setembro. Tudo regular e oficialmente nos autos.”

Tagliaferro responde na Justiça brasileira, caso o pedido de extradição seja aceito, por crimes como suposta tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, violação de sigilo e obstrução de investigação. Ele também é acusado de repassar informações à imprensa no caso “Vaza Toga”.

Reações institucionais e desdobramentos

Diante das acusações, a Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou um relatório sobre as denúncias contra Moraes e Paulo Gonet, que será enviado ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e a órgãos como TSE, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Os senadores também solicitaram que Barroso reavalie o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e de outros acusados pela suposta tentativa de golpe em 8 de janeiro. O relatório pede proteção internacional para Tagliaferro e sua família, além de notificar autoridades norte-americanas sobre supostas violações ocorridas no Brasil.

Em agosto de 2022, o ministro Moraes determinou operações da Polícia Federal que tiveram como base reportagens, com o objetivo de apreender celulares e computadores de oito empresários suspeitos de críticas ao STF e de manifestar preocupação com uma possível vitória do PT. A maioria desses inquéritos já foi arquivada, mas dois permanecem em andamento.

*Fonte: Revista Oeste