Postura da emissora estatal espanhola RTVE ecoa declarações antissemitas do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez
A emissora pública espanhola RTVE declarou, nesta terça-feira, 16, que abandonará a edição de 2026 do concurso musical Eurovision caso Israel seja mantido na competição. A pressão por boicote ao Estado judeu no festival entra para o histórico de antissemitismo da Espanha nos últimos anos e acontece em meio ao aumento de críticas internacionais às campanha militar israelense na Faixa de Gaza.
A decisão espanhola surgiu depois de posicionamentos semelhantes dos canais públicos da Irlanda e da Holanda, que também ameaçaram se retirar do festival se Israel permanecer entre os participantes. O Eurovision, realizado anualmente em maio, atrai cerca de 160 milhões de espectadores pelo mundo.
Autoridades espanholas, como o ministro da Cultura, Ernest Urtasun, vêm se manifestando publicamente sobre o tema. “A Espanha deve fazer tudo ao seu alcance para garantir que Israel não integre o Eurovision. Se a Europa não corresponder, nosso país precisa agir.”
O primeiro-ministro da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, reforçou sua opinião nesta segunda-feira, 15, depois que protestos pró-Palestina interromperam a prova de ciclismo Vuelta a España devido à participação de uma equipe israelense. “Nossa posição é clara e inequívoca: até que a barbárie cesse, nem Rússia nem Israel devem participar de qualquer competição internacional.”
A reação do governo de Israel veio por meio do chanceler Gideon Saar. “Sánchez e seu governo comunista são antissemitas e inimigos da verdade”, afirmou em publicação no X na segunda-feira. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha informou que convocaria o encarregado de negócios de Israel para transmitir um protesto formal nesta terça-feira.
An antisemite and a liar.
— Gideon Sa'ar | גדעון סער (@gidonsaar) September 15, 2025
Did Israel invade Gaza on Oct. 7th or did the Hamas terror state invade Israel and commit the worst massacre against the Jews since the Holocaust?
Sánchez and his Communist government are antisemites and enemies of the truth. https://t.co/n5ovAxlEBC
Boicotes a Israel crescem na Europa
A tendência de boicote ao Eurovision segue um cenário de crescente boicote a Israel na Europa. Recentemente, um festival na Bélgica cancelou um concerto da Orquestra Filarmônica de Munique devido à falta de clareza sobre a posição do futuro regente, o israelense Lahav Shani, sobre a situação em Tel-Aviv.
Shani, atual diretor musical da Filarmônica de Israel e futuro chefe da orquestra alemã, já se manifestou anteriormente em favor da paz, mas os organizadores do evento alegaram não conseguir esclarecer sua “atitude em relação ao regime genocida em Tel-Aviv”. Israel nega com veemência as acusações de genocídio em Gaza.

No futebol, torcedores italianos viraram de costas durante o hino nacional de Israel antes do jogo classificatório para a Copa do Mundo, realizado na Hungria pela situação de segurança. O Eurovision impõe regras para evitar conotações políticas, mas manifestações antissemitas aconteceram nas duas últimas edições do evento.
Israel participa do Eurovision desde 1973. Nos últimos anos, protestos contra sua presença cresceram, especialmente depois do início do conflito em Gaza, desencadeado por ataques do grupo terrorista Hamas, que matou cerca de 1,2 mil pessoas e levou centenas de reféns israelenses. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, o número de mortos em Gaza ultrapassa 64 mil.
A cada edição desde o início da guerra, manifestações e ameaças de boicote aumentaram, com vaias e protestos nos shows, além de recomendações para que fãs israelenses evitem exibir símbolos nacionais em público.
*Fonte: Revista Oeste