Lula condena ação dos EUA na Venezuela: ‘O povo é dono do seu destino’

Petista criticou articulações norte-americanas e exaltou regimes de esquerda em congresso do PCdoB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira, 16, de um congresso do PCdoB, em Brasília. Na ocasião, o petista condenou a atuação dos Estados Unidos na fronteira da Venezuela. Para ele, nenhum líder estrangeiro tem o direito de interferir no cenário político de outro país. Lula é um aliado antigo do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e de seu antecessor, Hugo Chávez, a que elogiou durante o discurso no evento dos comunistas.

Ao lado da ministra Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Lula discursou no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O evento reuniu nomes do alto escalão do governo, líderes partidários e representantes dos partidos comunistas da China e de Cuba.

Lula também rejeitou comparações entre o Brasil e a Venezuela. Segundo ele, a direita usa o chavismo como ameaça para atacar seus adversários políticos.

Venezuela; ditador Nicolás maduro
Encontro entre o ditador Nicolás Maduro e Luiz Inácio Lula da Silva, em 29/05/2023 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

“O Brasil nunca vai ser a Venezuela, e a Venezuela nunca vai ser o Brasil”, disse o petista. “Cada um será ele [sic]. O que nós defendemos é que o povo venezuelano é dono do seu destino. E não é nenhum presidente de outro país que tem que dar palpite do que vai ser a Venezuela ou vai ser Cuba. Cuba não é um país de exportação de terrorista.”

Críticas à CIA e à ofensiva militar dos EUA

A declaração veio em meio a uma crise diplomática. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter autorizado a CIA a conduzir ações secretas dentro do território venezuelano. O objetivo seria remover ditador Nicolás Maduro do poder.

Como resultado, a Venezuela levou o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. O regime denunciou ataques a embarcações próximas à costa e pediu uma declaração formal em defesa da sua soberania.

Washington justificou as ações como parte de uma operação contra o narcotráfico. Em Caracas, Maduro disse que nunca um governo havia admitido publicamente ordens à CIA para “matar, derrubar e destruir nações”.

Durante o congresso, Lula também relembrou o período entre 2002 e 2010, que definiu como “o melhor momento político” da América do Sul. Ele citou líderes e ditadores de esquerda da época, como Hugo Chávez.

Entre os presentes no evento estavam ministros como Gleisi Hoffmann, Sidônio Palmeira, Alexandre Silveira, Wolney Queiroz e João Campos. Também participaram Edinho Silva, Renata Abreu e diversos parlamentares de partidos aliados. Luciana Santos, presidente do PCdoB, criticou o que chamou de “clima de guerra no Caribe” e acusou os EUA de agirem como donos do mundo.

*Fonte: Revista Oeste