Pesquisa mostra crescimento do Likud, também em função da devolução dos restos mortais do último refém em Gaza
A aliança governista de direita em Israel, teria 50 cadeiras no Knesset (Parlamento), depois do anúncio dos líderes dos partidos árabes de que voltarão a disputar juntos as próximas eleições e da devolução dos restos mortais de Ran Gvili, o último refém em Gaza. A informação foi obtida em pesquisa do jornal Maariv publicada nesta sexta-feira, 30.
A pesquisa foi realizada entre 28 e 29 de janeiro, com 503 entrevistados representativos da população adulta israelense, judaica e árabe, e margem de erro máxima de 4,4% para mais ou para menos.
O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, se fortaleceu com dois assentos. Neste momento, em uma eleição, a oposição ficaria com 57 cadeiras no Knesset, enquanto a Lista Conjunta Árabe reconstituída alcançaria 13. O total é de 120 cadeiras.
Netanyahu não tem a maioria. Mas tem se mantido por meio de votações pontuais. Em 2025, por exemplo, a oposição não conseguiu reunir os votos necessários (61) para destituí-lo ou provocar eleições.
A Lista Conjunta é uma aliança eleitoral que reúne partidos árabes israelenses, criada para disputar eleições parlamentares em bloco e ampliar a representação árabe no Knesset.
Nos últimos tempos, os partidos árabes estavam disputando por conta própria. Para eles, a Lista Conjunta revivida seria vantajosa. O grupo obteria 13 cadeiras, acima das 10 atualmente projetadas para Hadash,Ta’al e Ra’am quando concorrem separadamente. O outro partido, o Balad não ultrapassaria a cláusula de barreira.
Trata-se do percentual mínimo de votos exigido para que uma legenda tenha direito a assentos no Parlamento. A pesquisa mostra que o Balad não alcançaria os 3,25% necessários dos votos válidos. Com isso, seus votos seriam descartados na distribuição de cadeiras.
A queda abalaria o total da oposição, que cairia de 61 para 57 assentos. Esta atual maioria da oposição é aparente, já que, mesmo com dois representantes tendo deixado a aliança governista, eles continuam, na prática, votando junto com o governo. A liderança do Shas, por exemplo, disse que pode votar com o governo em temas específicos mesmo fora da coalizão.
Os partidos mais prejudicados seriam o Yesh Atid, de Yair Lapid; o Bennett 2026, de Naftali Bennett, ambos ex-primeiros-ministros, e o Yashar, de Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI). Recentemente, Eisenkot propôs a criação de uma lista unificada para as próximas eleições, ao lado de Bennett e de Lapid.
O objetivo era formar uma aliança para conquistar assentos suficientes no próximo pleito, para derrotar o Likud e seus aliados. No entanto, a retomada da Lista Conjunta árabe tende a atrapalhar os objetivos da oposição.
Crescimento da direita em Israel
As eleições estão previstas para outubro deste ano. Mas se ocorressem hoje, pouco tempo depois do fim da primeira etapa do cessar-fogo em Gaza, Netanyahu estaria fortalecido. O Likud passaria de 25 para 27 cadeiras. Bennett cairia de 23 para 22. A Lista Conjunta subiria de 10 para 13. O Yashar, de Eisenkot, perderia uma cadeira (de 11 para 10). O Yesh Atid também: de nove ficaria com sete.
Já os partidos Democratas e Yisrael Beytenu (conservador) permaneceriam com nove; Otzma Yehudit e Shas (ortodoxo) seguiriam com oito; Judaísmo Unido da Torá (direitista) permaneceria com sete. O Azul e Branco (2,7%), liderado por Benny Gantz, os Reservistas (1,8%) e o Sionismo Religioso (1,8%) não atingiriam o mínimo necessário para se elegerem.
*Fonte: Revista Oeste