O ex-ministro declarou que prefere aguardar os desdobramentos das investigações antes de emitir qualquer julgamento sobre o caso
Em meio à recente crise que envolve o Banco Master, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou na terça-feira 11 que desconhecia Daniel Vorcaro, proprietário do banco em liquidação. Barroso declarou que prefere aguardar os desdobramentos das investigações antes de emitir qualquer julgamento sobre o caso.
Em entrevista concedida ao canal GloboNews, Barroso comentou a turbulência enfrentada pelo STF e disse que o escândalo financeiro afeta diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Recentemente, vieram a público mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro no dia da primeira prisão do empresário, fato que Moraes nega. Toffoli, por sua vez, deixou a relatoria do processo depois de admitir ser sócio de uma empresa que negociou participação no Tayayá Resort, no Paraná, com fundos ligados a Vorcaro.
Gravidade da crise e cautela nas avaliações
Barroso destacou a gravidade do momento. “Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas, como eu disse, acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, afirmou à GloboNews. Ele também elogiou o presidente da Corte, Edson Fachin, e o relator do caso, André Mendonça, ao ressaltar que pode haver condutas criticáveis, mas que não antecipará avaliações.
O ex-presidente do STF manifestou apoio à proposta de criação de um código de ética para o tribunal, defendida por Fachin, embora tenha ponderado que o momento escolhido pode não ter sido o ideal. Segundo Barroso, durante sua gestão, ele considerou a implementação da medida, mas desistiu por entender que “era muito divisiva” no tribunal. Atualmente, acredita que o código se tornou “uma demanda da sociedade”. “Não vejo problema em sistematizar isso em um código”, declarou.
Discussão sobre ética e penduricalhos no Judiciário
Barroso relatou ter votado contra a atuação de ministros em processos relacionados a clientes defendidos por parentes, mas ressaltou não condenar posições opostas. O ministro aposentado também discutiu o tema dos chamados penduricalhos no Judiciário, ponto de discussão entre ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes. Segundo ele, “há coisas erradas” que precisam ser enfrentadas, mas reconheceu que existem pagamentos acima do teto constitucional que são legítimos. “Uma das coisas que erradas que havia era o reconhecimento administrativo de atrasados”, disse.
De acordo com o ex-presidente do STF, ele deixou o cargo em outubro depois de 12 anos na Corte, permanecendo a vaga aberta desde então. O presidente Lula (PT) indicou Jorge Messias, atual ministro da Advocacia-Geral da União, para a função, mas Messias ainda não foi sabatinado no Senado.
Saída do STF e críticas à exposição pública
Por fim, Barroso revelou que um dos motivos para sua saída foi a intensidade da exposição pública, que se tornou, nas suas palavras, “insuportável”. Defendeu ainda a adoção de mandatos fixos para ministros do STF, como ocorre em outros países.
*Fonte: Revista Oeste