Dados da Receita Federal mostram evolução de quase mil vezes nos bens declarados pelo dono do Banco Master entre 2015 e 2024
O patrimônio do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou de R$ 2,8 milhões para R$ 2,6 bilhões em uma década. Os dados indicam uma evolução de quase mil vezes nos bens declarados pelo banqueiro à Receita Federal do Brasil entre 2015 e 2024.
As informações constam em documentos enviados pelo Fisco à CPI do INSS. Os valores são nominais, sem correção monetária. Em 2023, conforme declaração apresentada no ano seguinte, Vorcaro informou possuir R$ 1,4 bilhão em bens.
Vorcaro: mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo
Em 2024, o patrimônio declarado subiu para R$ 2,6 bilhões. Em 2015, o banqueiro havia declarado R$ 2,8 milhões. Em 2021, o valor já havia alcançado R$ 815,2 milhões, chegando a R$ 1,2 bilhão no ano seguinte.
Os documentos também revelam que Vorcaro declarou possuir R$ 1,38 milhão em dinheiro vivo em dezembro de 2023. Ao longo de 2024, esse valor foi reduzido. O empresário informou manter R$ 250 mil em espécie no fim daquele ano.
Há dez anos, a maior parte do patrimônio do banqueiro era composta de aplicações em renda fixa em bancos tradicionais e veículos de luxo, como uma Range Rover avaliada em cerca de R$ 410 mil. Em 2024, apenas a integralização de ações do Banco Master alcançou R$ 517 milhões. O empresário também declarou possuir R$ 47 milhões em relógios e obras de arte.
Investigações da Polícia Federal do Brasil apontam suspeitas de que Vorcaro ampliou seu patrimônio, ao menos desde 2019, por meio de operações financeiras fraudulentas, alvo de investigações policiais e apurações da Comissão de Valores Mobiliários.
Uma dessas apurações ocorreu no âmbito da Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020, que investigou o suposto desvio de recursos de fundos de previdência do Estado de Rondônia para particulares. As investigações mais recentes revelam que o Banco Master teria utilizado outras estratégias para desviar recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de familiares.
A Polícia Federal do Brasil apura o caso na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraude contra o sistema financeiro baseado na emissão e na negociação de ativos sem lastro real. Segundo a investigação, o banco teria vendido títulos e carteiras de crédito que prometiam retornos elevados, mas que não possuíam garantias efetivas de pagamento.
*Fonte: Revista Oeste