Israel elimina comandante da milícia ideológica do Irã

Força Aérea israelense confirma a morte do general Gholamreza Soleimani e mantém ofensiva contra figuras do alto escalão do regime

As forças militares de Israel executaram uma operação de alta precisão no coração da capital iraniana para abater o general Gholamreza Soleimani. O oficial comandava o Basij, a milícia de voluntários que sustenta a estrutura repressiva do regime islâmico. O comunicado oficial emitido nesta terça-feira, 17, detalha que a Força Aérea localizou o alvo com suporte de inteligência avançada. A investida ocorre em um momento de expansão das ações preventivas israelenses contra a cúpula dos Guardiões da Revolução do Irã.

O braço paramilitar atingido funciona como a linha de frente da teocracia para esmagar dissidências internas e impor condutas morais rígidas. Idealizado por Ruhollah Khomeini na década de 1970, o Basij se transformou em uma ferramenta de controle social que recruta integrantes em áreas pobres e conservadoras para proteger o sistema clerical. O grupo acumula um histórico de violência que remete à guerra contra o Iraque, período em que utilizava civis para varrer campos minados, e a recentes episódios de perseguição contra estudantes e manifestantes.

Israel também eliminou líder do conselho de segurança

A ofensiva israelense desta madrugada também mirou Ali Larijani, peça fundamental do Conselho Supremo de Segurança do Irã. Meios de comunicação de Israel, como a emissora Kan e o canal N12, relatam que o bombardeio buscou eliminar o conselheiro, embora o desfecho dessa ação específica ainda passe por verificações técnicas. O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior, afirmou que as operações atingiram componentes vitais do mecanismo de coerção estatal iraniano, gerando resultados que devem moldar os próximos passos do conflito.

O Basij sofre sanções recorrentes dos Estados Unidos devido a graves violações de direitos humanos e ao recrutamento de crianças para fins bélicos. Submetida diretamente à Guarda Revolucionária, a organização atua como uma barreira ideológica que blinda o líder supremo de qualquer contestação popular. A eliminação de Soleimani representa um golpe direto na capacidade de mobilização do regime, logo que o comando da segurança interna iraniana perde um de seus principais estrategistas operacionais em solo próprio.

*Fonte: Revista Oeste