Governo sofre debandada em ministérios

Do total de 38 ministros, ao menos 17 já saíram do primeiro escalão do Executivo federal para disputar o pleito em outubro

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com 38 ministérios. Nas últimas semanas, quase metade deles sofreu alterações por causa das eleições deste ano. Ao menos 17 ministros deixaram o cargo para disputar o pleito de outubro, configurando uma debandada inédita na história recente do Executivo federal.

Pastas centrais tiveram mudanças, inclusive algumas comandadas por políticos do Partido do Trabalhadores (PT). Rui Costa saiu da Casa Civil para concorrer ao Senado pela Bahia. Fernando Haddad deixou a Fazenda no início de março ao se lançar pré‑candidato ao governo de São Paulo, onde aparece atrás de Tarcísio de Freitas em levantamento recente do instituto Real Time Big Data.

O também petista, Camilo Santana deixou o Ministério da Educação, mas seu destino político no Ceará ainda é indefinido. Ele já governou o Estado por dois mandatos e pode ser uma alternativa do partido dependendo do desempenho do atual chefe do Executivo cearense, Elmano de Freitas (PT), que no levantamento divulgado pelo Paraná Pesquisas aparece atrás de Ciro Gomes (PSDB).

No Ministério dos Transportes, a saída de Renan Filho (MDB) chama atenção. Ele deixou a pasta para disputar o governo de Alagoas, enquanto o PT ainda não definiu qual candidato apoiará. André Fufuca (PP) deixou o cargo de ministro do Esporte para concorrer ao Senado pelo Maranhão.

Casos específicos

No Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o vice‑presidente Geraldo Alckmin (PSB) se afastou da pasta para disputar a reeleição na chapa petista. A legislação eleitoral exige que ocupantes de cargos no Executivo deixem suas funções até 4 de abril, seis meses antes da votação, para evitar uso da máquina pública em benefício próprio. Essa regra, entretanto, vale para ministros, mas não para vice-presidente. Por isso, o socialista deixou o cargo de ministro, mas segue na Vice-Presidência da República.

A dança das cadeiras inclui ainda André de Paula (PSD). Ele migrou da Pesca para a Agricultura e Pecuária, substituindo Carlos Fávaro (PSD), que se lançou como pré‑candidato ao Senado por Mato Grosso.

Já Jorge Messias, da Advocacia‑Geral da União, aguarda decisão do Senado sobre sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. A Casa legislativa recebeu oficialmente o documento que valida a escolha de Lula para o tribunal.

Os novos ministros

Os novos titulares na Esplanada dos Ministérios, em sua maioria secretários‑executivos, assumiram sem mudanças estruturais. Lula afirmou, em reunião ministerial ocorrida nesta semana, que é necessário manter a máquina funcionando e concluir entregas sem reinventar programas.

No núcleo estratégico e econômico, a lógica de substituição seguiu padrão semelhante. Na Fazenda, Dario Durigan assumiu a cadeira deixada por Haddad. Na Casa Civil, Miriam Belchior ocupou o espaço aberto por Rui Costa. No Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti passou a comandar o ministério depois da saída de Simone Tebet.

Debandada recorde

Com 38 pastas, o governo Lula só perde para o de Dilma Rousseff, que tinha 39 ministérios. A saída de quase metade dos titulares supera o recorde do próprio Lula em 2006, quando 14 ministros se afastaram. Em 2022, Jair Bolsonaro registrou oito desligamentos.

*Fonte: Revista Oeste