‘Gag’, ‘tankar’, ‘farmar aura’: governo Lula publica ‘dicionário de gírias’ para promover programas estatais

Postagem feita nesta quarta-feira, 29, utiliza termos da internet para promover programas sociais

O governo federal utilizou seus perfis oficiais nesta quarta-feira, 29, para divulgar um “dicionário” de gírias das gerações Z e Alpha. A publicação, que utiliza termos como “tankar”, “droppar” e “gag de la gag”, tenta traduzir programas sociais para o público jovem.

Na prática, a iniciativa reforça uma comunicação que ignora o tom institucional em favor de um estilo de “influenciador”. Essa estratégia busca o engajamento a qualquer custo. O governo adota uma espécie de “estética da favela”, mimetizando o funk e memes para parecer próximo do povo.

Além dessa publicação, outros exemplos recentes incluem o Zé Gotinha fazendo “passinho” em vielas e trilhas de funk com letras originalmente pornográficas para divulgar caravanas de serviços.

A guinada para essa linguagem informal e, por vezes, caricata ganhou força sob o comando do marqueteiro Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação do governo. O mantra é “furar a bolha”, mesmo que isso signifique sacrificar o decoro. Para a atual gestão, a seriedade parece ser um obstáculo à viralização.

O custo da comunicação informal do governo Lula

No entanto, manter essa estrutura de entretenimento estatal custa caro. Apenas no primeiro semestre de 2025, os gastos com publicidade digital dispararam 110%, chegando a R$ 69 milhões. Desse valor, R$ 2 milhões foram parar no bolso de influenciadores selecionados para dar um verniz de “periferia” às ações governamentais.

A estratégia de Sidônio, porém, é excludente. Ao reduzir a identidade do país ao que “performa” bem nos algoritmos das metrópoles, o governo ignora a diversidade cultural de diversos lugares do país. Na prática, cria-se um “ranking cultural” onde a complexidade do Brasil é substituída por um padrão pensado apenas para gerar cliques rápidos.

Ministro da Secom Sidônio Palmeira
Ministro da Secom Sidônio Palmeira | Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Além disso, a insistência no uso dessa linguagem gera, muitas vezes, conteúdos inadequados. Um exemplo foi a publicação de um vídeo, em dezembro do ano passado, que mostrava adolescentes dançando uma coreografia sensual de uma música de funk. Depois da repercussão negativa, o governo apagou o post.

*Fonte: Revista Oeste