Barranco é criticado por explorar tragédia familiar e atacar projeto de proteção a mulheres em MT

A declaração do deputado estadual Valdir Barranco (PT) gerou forte reação ao utilizar a morte de Raquel Cattani — vítima de feminicídio — como argumento político contra um projeto de lei que busca ampliar a proteção de mulheres em situação de risco.

Durante entrevista, o parlamentar citou diretamente a dor vivida pela família do deputado Gilberto Cattani (PL), sugerindo que o acesso a armas não teria evitado o crime. A fala foi vista por muitos como insensível e desrespeitosa, por expor uma tragédia pessoal em meio a um debate ideológico.

Mato Grosso figura entre os líderes nacionais em casos de feminicídio e, segundo Cattani, o debate sobre medidas de proteção às mulheres exige seriedade, responsabilidade e, acima de tudo, respeito às vítimas e suas famílias.

O projeto apresentado pelo parlamentar propõe facilitar o acesso ao porte de arma para mulheres sob medida protetiva, como uma alternativa de defesa em situações extremas. A proposta parte de um princípio claro: muitas mulheres são assassinadas mesmo após denunciar seus agressores, evidenciando falhas no sistema de proteção atual.

A fala de Barranco, no entanto, foi além da crítica política e atingiu um limite sensível ao usar um episódio de dor irreparável como argumento.

O pré-candidato a deputado federal Vinícius Santana reagiu publicamente e repudiou a declaração. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele classificou a fala como inadmissível e cobrou respeito.

“Você jamais deveria ter tocado na dor de uma família. Isso é inadmissível.”

Vinícius também manifestou solidariedade à família Cattani e reforçou que divergências políticas não podem ultrapassar o respeito humano básico.

Vinicius explica que o episódio escancara um problema recorrente no debate público: a politização de tragédias. Em vez de discutir soluções concretas para proteger mulheres, discursos como esse aprofundam divisões e desumanizam vítimas.

“Diante de um cenário grave de violência contra a mulher, o foco deveria ser ampliar alternativas de proteção — e não desqualificar propostas com ataques pessoais”, concluiu.