O petista citou brasileiros ligados ao crime organizado que vivem em Miami; PF faz operação contra Ricardo Magro e Cláudio Castro nesta sexta-feira, 15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na última terça-feira, 12, ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega de brasileiros investigados por envolvimento com o crime organizado que vivem em Miami. A declaração ocorreu durante cerimônia de lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, no Palácio do Planalto, iniciativa que prevê R$ 11 bilhões em investimentos na segurança pública.
Sem mencionar nomes diretamente no discurso, Lula tem citado em declarações recentes o empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit, que controla a refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Considerado foragido pela Justiça brasileira, Magro é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) sobre fraudes bilionárias no mercado de combustíveis.
Nesta sexta-feira, 15, a PF cumpriu mandados de busca contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e contra Magro, que mora em Miami desde a década passada. O empresário também foi citado em etapas da Operação Carbono Oculto, que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis.

Durante o evento no Planalto, Lula relatou a conversa que teve com Trump sobre cooperação internacional no combate ao narcotráfico e às facções criminosas. “Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami’”, declarou.
Segundo o petista, o governo brasileiro apresentou propostas voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira de organizações criminosas. “Nós falamos que temos propostas de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro, e parte das armas que apreendemos vem dos Estados Unidos”, disse.
Lula também criticou a narrativa de que os problemas ligados ao narcotráfico estariam concentrados na América Latina. “Essas coisas é importante dizer [sic], porque senão eles passam a ideia de que a desgraça toda tá do lado de cá e que eles não têm nada a ver com isso”, afirmou.

Durante o evento, Lula também afirmou que chefes do crime organizado não estão concentrados em favelas, mas inseridos em setores de elite econômica e institucional do país. “Os líderes não estão nas favelas”, declarou. “Estão muitas vezes infiltrados no empresariado, no Judiciário, no Congresso, no futebol, em todas as categorias.”
Ao tratar da atuação das forças de segurança, Lula afirmou que o governo pretende discutir com o Poder Judiciário a soltura de criminosos pouco tempo depois de serem presos pelas polícias estaduais.
“Tem muita queixa de governadores, de que a polícia prende o bandido, e, depois, ele está solto. Às vezes, ele escolhe onde quer ficar preso”, declarou. “Vamos ter que colocar na mesa para ver se a gente consegue colocar também o Poder Judiciário [nas ações do Executivo].”

Lula defende recriação de ministério
No discurso, o presidente voltou a defender a recriação do Ministério da Segurança Pública, condicionando a medida à aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado. A proposta, considerada uma das principais apostas do governo federal para a área, está parada na Casa desde março, quando foi aprovada pela Câmara dos Deputados.
O texto aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para começar a tramitar. Governadores de oposição e parlamentares criticam a proposta por considerar que ela amplia excessivamente a atuação da União na segurança pública.
Entre os pontos previstos na PEC estão a ampliação da integração entre União e Estados e a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição.
*Fonte: Revista Oeste