Com 98% das urnas apuradas, Keiko Fujimori retoma liderança no Peru

Vantagem da conservadora é de algumas centenas de votos; resultado definitivo ainda pode demorar semanas

Keiko Fujimori voltou a assumir a dianteira na disputa pela Presidência do Peru nesta quarta-feira, 10, segundo a apuração oficial do segundo turno. Com 98,21% das urnas contabilizadas, a candidata conservadora somava 50% dos votos válidos, contra 49,99% do esquerdista Roberto Sánchez.

O desfecho de uma das eleições mais acirradas da história recente do país permanece indefinido. De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais, a diferença entre os candidatos corresponde a apenas algumas centenas de votos.

O avanço de Fujimori foi impulsionado principalmente pelos votos registrados no exterior, sobretudo nos Estados Unidos e no Japão.

A candidata conservadora Keiko Fujimori, em pronunciamento sobre o combate ao terrorismo | Foto: Reprodução/X
A candidata conservadora Keiko Fujimori, em pronunciamento sobre o combate ao terrorismo | Foto: Reprodução/X

A autoridade eleitoral informou que a proclamação do vencedor ainda depende da análise de atas de apuração contestadas, que representam cerca de 480 mil votos. Segundo o órgão, a conclusão da contagem poderá ocorrer em até duas semanas ou se estender até o fim do mês, conforme o volume de questionamentos apresentados.

Diante do novo cenário, Keiko afirmou estar confiante, mas cautelosa. “Vamos aguardar os números oficiais, mas sem dúvida, à medida que a contagem avança, especialmente com as atas de apuração vindas do exterior, isso nos dá muito ânimo”, declarou a jornalistas. Ela acrescentou que permanece “otimista e prudente” e que aceitará o resultado final das urnas.

Candidato de esquerda reclama de “ataque à democracia” no Peru

Sánchez reagiu à mudança na liderança com denúncia do que chamou de “tentativas de enfraquecer o processo democrático”. O candidato afirmou haver “manobras e tentativas de minar a democracia” e criticou um “setor da imprensa” que, segundo ele, estaria promovendo ataques à sua candidatura.

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O então presidente do Peru, Pedro Castillo, pouco depois de ser empossado no cargo, durante cerimônia na capital Lima – 28/7/2021 | Foto: Divulgação/Pedro Castillo/Twitter

Ainda assim, o esquerdista ressaltou que “os resultados das eleições devem ser respeitados, independentemente de desejos pessoais”, sem descartar a realização de manifestações.

A demora na definição do resultado segue precedentes recentes da política peruana. Na eleição presidencial de 2021, disputada entre Keiko Fujimori e o esquerdista Pedro Castillo, o resultado oficial só foi anunciado seis semanas depois da votação. Na ocasião, Castillo venceu com 50,12% dos votos, contra 49,87% da adversária.

Uma Missão de Observação Eleitoral da União Europeia avaliou que o segundo turno transcorreu de forma “calma e ordeira”, apesar do ambiente de forte polarização que marcou a campanha.

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Alberto Fujimori governou o Peru de 1990 a 2000 | Foto: Reprodução/Redes sociais

A disputa colocou Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, contra Sánchez, líder do partido Juntos por el Perú e apontado como herdeiro político de Pedro Castillo, que está preso desde a fracassada tentativa de autogolpe em 2022. Esta é a quarta candidatura presidencial de Keiko, enquanto Sánchez disputa o cargo pela primeira vez.

O vencedor da eleição assumirá a Presidência em 28 de julho, substituindo o presidente interino José María Balcázar para um mandato de cinco anos.

*Fonte: Revista Oeste