Vereador do PT preso por ligação com PCC acumula imóveis milionários

Polícia aponta patrimônio incompatível com renda e cita sítio em MG como elemento para identificar Senival Moura

O vereador Senival Moura (PT), preso sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou à Justiça Eleitoral que mantém imóveis avaliados em milhões de reais, segundo levantamento baseado em documentos públicos e na investigação da Polícia Civil de São Paulo.

Os investigadores afirmam que o patrimônio atribuído ao parlamentar é incompatível com sua remuneração oficial como vereador, atualmente de cerca de R$ 26 mil mensais.

Senival foi detido na última quinta-feira, 25, em seu apartamento no Tatuapé, na zona leste da capital paulista. O imóvel foi declarado nas eleições de 2024 pelo valor de R$ 820 mil. A defesa afirma, contudo, que a unidade foi adquirida ainda na planta por aproximadamente R$ 600 mil, em parcelas.

Vereador do PT preso por ligação com PCC acumula imóveis milionários
Sítio em Extrema (MG), declarado por R$ 200 mil à Justiça Eleitoral | Foto: Reprodução

“Eventual valorização imobiliária ocorrida ao longo dos anos decorre exclusivamente das condições do mercado, não representando o valor de aquisição do bem”, disseram os advogados, em nota publicada pelo portal Metrópoles.

Apartamentos com características semelhantes no mesmo edifício são anunciados por valores entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,8 milhões. As unidades possuem 167 metros quadrados, quatro dormitórios, quatro banheiros e três vagas de garagem.

Senival é investigado por supostamente lavar recursos do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião, concessionária responsável por 50 linhas do transporte coletivo da capital paulista e que sofreu intervenção da Prefeitura de São Paulo na semana passada.

Mensagem na qual operador financeiro do PCC combina com ex-diretor de empresa de ônibus pagamento para Senival em Extrema (MG) | Foto: Reprodução/Metrópoles

O relatório que fundamentou a prisão também menciona um sítio em Extrema (MG), descrito pela Polícia Civil como um imóvel de “elevado padrão”. Segundo os investigadores, mensagens interceptadas mostram negociações de valores acertados com o “presidente” em “Extrema”.

Para a polícia, “presidente” seria um dos apelidos atribuídos a Senival Moura, enquanto a referência a Extrema apontaria para o município mineiro onde ele mantém a propriedade rural.

“Tal interpretação encontra respaldo no fato de que Senival Pereira de Moura possui imóvel de elevado padrão localizado naquele município, circunstância que reforça a identificação do ‘presidente’ mencionado nas mensagens e confere maior consistência à vinculação entre os interlocutores e o contexto patrimonial investigado”, diz o relatório.

Vereador do PT preso por ligação com PCC acumula imóveis milionários
Defesa de Senival Moura diz que sítio foi comprado há 20 anos e casa construída “de forma gradual e fracionada ao longo dos anos” | Foto: Reprodução

Os investigadores sustentam ainda que o vereador também era chamado de “veio” em conversas entre Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do esquema, e Adauto Soares Jorge, ex-diretor-presidente da Transunião, assassinado em 2020.

O terreno rural em Extrema foi declarado por Senival nas eleições de 2024 pelo valor de R$ 200 mil. Segundo a defesa, a propriedade foi adquirida há cerca de duas décadas, e a residência existente no local foi construída gradualmente.

“A construção da residência ocorreu de forma gradual e fracionada ao longo dos anos, motivo pelo qual sua atualização patrimonial ainda não havia sido refletida na declaração correspondente”, afirmaram os advogados.

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O vereador paulistano Senival Moura (PT) está preso; de acordo com as investigações, ele roubou o PCC | Fotos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil e Divulgação/senivalmoura.com.br

Polícia identifica outros imóveis em nome do vereador ligado ao PCC

Além do apartamento no Tatuapé e do sítio em Minas Gerais, a investigação identificou outros imóveis registrados em nome do vereador.

De acordo com a Polícia Civil, trata-se de “ativos imobiliários que, considerados em conjunto, representam patrimônio substancialmente superior àquele normalmente associado à remuneração formalmente conhecida de Senival Pereira de Moura enquanto vereador”.

Levantamento do Metrópoles estima que cinco imóveis ligados ao parlamentar somam pelo menos R$ 3,6 milhões.

Marcas do PCC em rua brasileira | Foto: Reprodução/X
Marcas do PCC em rua brasileira | Foto: Reprodução/X

Entre eles estão um apartamento na Vila Madalena (SP), avaliado em R$ 585 mil; outro na Vila Maria (SP), estimado em R$ 430 mil; um imóvel em Juquehy, em São Sebastião (SP), estimado em R$ 800 mil; o apartamento no Tatuapé (SP), avaliado em pelo menos R$ 1,6 milhão; e o terreno rural em Extrema, declarado por R$ 200 mil.

Um imóvel localizado na Vila Minerva, em São Paulo, também aparece na investigação, mas não entrou na estimativa por não haver avaliação disponível. Esse apartamento é alvo de cobrança de IPTU pela prefeitura. Senival alegou não ter recursos para arcar com as despesas do processo.

Por solicitação do próprio parlamentar, o PT decidiu afastá-lo temporariamente da legenda para que ele concentre sua atuação na defesa. O caso será analisado pelo comitê de ética do diretório municipal do partido, responsável por decidir se Senival permanecerá filiado à sigla.

*Fonte: Revista Oeste