Governo brasileiro se manifesta sobre fim das eleições na Nicarágua

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores evita chamar Daniel Ortega de ditador e nem tece críticas diretas a ele

O governo brasileiro comentou, nesta quarta-feira, 23, a declaração do ditador da Nicarágua e aliado de Luiz Inácio Lula da Silva, Daniel Ortega, de que o país não voltará a realizar eleições. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores reafirmou o compromisso do Brasil com a democracia e defendeu a realização de eleições livres, periódicas e transparentes.

O comunicado, no entanto, evitou classificar Ortega como ditador ou fazer críticas diretas à figura política nicaraguense.

Segundo o Itamaraty, a realização de eleições livres, plurais e transparentes representa um dos pilares da democracia. A pasta afirmou que esse princípio integra os valores defendidos pelo Estado brasileiro e orienta a política externa do país.

“O Brasil recorda que a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia”, informou o ministério.

Itamaraty pede garantia do direito ao voto na Nicarágua

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, participa da cúpula de Alba, em Caracas, Venezuela, em 24 de abril de 2024 | Foto: Reuters/Leonardo Fernandez Viloria

Na nota, o governo brasileiro também conclamou as autoridades da Nicarágua a garantirem à população o exercício do direito de escolher seus governantes. O texto afirma que o povo nicaraguense deve ter assegurado o direito soberano de participar de eleições.

“O Brasil conclama as autoridades do país a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes”, declarou o Itamaraty.

A manifestação ocorreu depois de Daniel Ortega afirmar, durante um evento público, que a Revolução Sandinista garantirá que “não voltará a haver eleições” na Nicarágua. A declaração reforçou a posição adotada pelo regime nicaraguense nos últimos anos, marcada pela concentração de poder e pela redução do espaço para a oposição.

O comunicado brasileiro não mencionou diretamente as falas de Ortega e nem citou medidas contra o governo da Nicarágua. Também não fez referência à situação política interna do país ou às críticas apresentadas por organismos internacionais sobre o processo democrático nicaraguense.

*Fonte: Revista Oeste