Virginia Mendes defende suas escolhas e amplia protagonismo político com apoio a Medeiros e Bolsonaro

De campanhas por Bolsonaro a movimentos próprios na eleição de 2026, ex-primeira-dama acumula manifestações públicas que ajudam a definir seu posicionamento político

A entrada de Virginia Mendes na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados não inaugurou a atuação política da ex-primeira-dama de Mato Grosso. A candidatura formalizada em 2026 apenas colocou nas urnas uma personagem que, há anos, participa de debates eleitorais, declara preferências e assume posições públicas.

O movimento mais recente veio na noite de 17 de setembro, quando Virginia participou do lançamento da candidatura de José Medeiros (PL) ao Senado, em Cuiabá. O gesto chamou atenção por uma razão objetiva: Medeiros concorre a uma das duas vagas ao Senado em uma disputa na qual também está o marido de Virginia, o ex-governador Mauro Mendes (União), além de Margareth Buzetti (PP), que integra a mesma Federação União Progressista de Mauro.

No evento, Virginia não apenas compareceu. Convidada por Medeiros, ela declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e voltou a mencionar sua admiração por Michelle Bolsonaro. Também afirmou que Medeiros e Mauro poderiam atuar juntos em Brasília.

O episódio ganhou dimensão justamente porque não se tratava de uma escolha eleitoral óbvia do ponto de vista partidário. Virginia é candidata pelo União Brasil, enquanto Medeiros disputa o Senado pelo PL.

O histórico não começou em 2026

A manifestação em favor de Medeiros não é um episódio isolado na trajetória política de Virginia Mendes.

Em outubro de 2022, durante a reta final da eleição presidencial, Virginia participou de mobilizações pela reeleição de Jair Bolsonaro. Em um adesivaço realizado em Cuiabá, ao lado de Mauro Mendes, ela defendeu publicamente os valores associados à campanha do então presidente, mencionando Deus, Pátria, Família, Vida e liberdade, e pediu que mulheres trabalhassem pela conquista de votos.

Poucos dias depois, em uma reunião com mais de mil mulheres organizada em Cuiabá, voltou a pedir mobilização em favor de Bolsonaro. Na ocasião, afirmou que era necessário falar de política e pediu que as participantes ajudassem a “multiplicar os votos” no então presidente.

O posicionamento também apareceu em 2024. No segundo turno da eleição para a Prefeitura de Cuiabá, Virginia anunciou apoio a Abílio Brunini (PL), candidato que tinha Michelle Bolsonaro como uma das principais apoiadoras em Mato Grosso. Virginia associou o voto a princípios como fé e família e afirmou que estava ao lado de quem compartilhava aqueles valores.

Em outro ato da campanha, ao lado de Michelle Bolsonaro, declarou: “Eu sou verde e amarelo” e pediu mobilização por Abílio.

As manifestações de Virginia não se restringem a palanques eleitorais. Em março de 2026, ao criticar o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ela utilizou uma publicação para questionar a relação do senador com Bolsonaro e acusá-lo de ter mudado de posição política. Na mesma manifestação, afirmou que “coerência não é opcional” e que “lealdade não é discurso de campanha”.

Em 2025, Virginia também esteve com Mauro Mendes em uma manifestação em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e reiterou apoio à posição defendida por Jair Bolsonaro sobre o tema.

São episódios de momentos diferentes, com circunstâncias diferentes, mas que formam um registro público relativamente consistente: Virginia Mendes não passou a falar sobre Bolsonaro ou sobre a direita apenas depois de decidir disputar uma eleição.

Agora, com mandato em disputa, a escolha fica mais explícita

A eleição de 2026 acrescentou uma nova dimensão a esse histórico.

Pela primeira vez, Virginia disputa diretamente um cargo eletivo. E os primeiros movimentos de campanha mostram que ela não está tratando a candidatura apenas como uma extensão automática da trajetória política do marido. A presença no lançamento de Medeiros é um exemplo concreto.

Ao apoiar publicamente um candidato de outro partido, que disputa uma das mesmas vagas do Senado que Mauro Mendes, Virginia fez uma escolha que não pode ser explicada apenas pela composição formal das chapas. O próprio Medeiros classificou sua participação como resultado de um convite, e Virginia declarou publicamente seu apoio.

A situação é particularmente significativa porque, no mesmo evento, Virginia reafirmou a ligação política de Mauro Mendes com Jair Bolsonaro e declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Também recentemente, Virginia classificou como “eleitoreiro” o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula, embora tenha admitido que não havia acompanhado os detalhes técnicos da medida.

A candidatura de Virginia permite observar uma trajetória que já vinha sendo construída fora das urnas.

Primeira-dama durante os dois mandatos de Mauro Mendes no Governo de Mato Grosso, ela ocupou espaço próprio em ações sociais, campanhas eleitorais e manifestações políticas. Nos últimos anos, tornou públicas posições favoráveis a Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e, posteriormente, a Abílio Brunini e Flávio Bolsonaro.

Se essa sequência representa apenas alianças circunstanciais de uma eleição ou a consolidação de uma identidade política própria de Virginia Mendes, será o eleitor quem decidirá nas urnas.

O que já existe, porém, é um histórico público de escolhas. E, nesse histórico, Bolsonaro, a direita e pautas associadas à família, à fé, à liberdade e ao combate à corrupção aparecem repetidamente — antes mesmo de Virginia Mendes se tornar candidata.