IPCA-15: puxada por energia, ‘prévia’ da inflação fica acima do esperado

Segundo dados do IBGE, índice ficou em 0,7% em setembro e, no período de 12 meses, em 4,47%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia” da inflação oficial do país, ficou em 0,7% em setembro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado do ano, o indicador ficou em 3,82%. No período de 12 meses até setembro, em 4,47%. Em setembro do ano passado, o IPCA-15 havia ficado em 0,48%.

O resultado da “prévia” da inflação neste mês veio acima do esperado pelo mercado. A média das estimativas apontava para um índice de 0,53% (mensal) e de 4,3% (em 12 meses).

Em agosto deste ano, o IPCA-15 registrou deflação (inflação negativa) de 0,4% e, em 12 meses, ficou em 4,24%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional, a meta de inflação para 2026 é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

Energia elétrica puxa alta

Segundo os dados do IBGE, todos os nove grupos pesquisados registraram alta em setembro. A maior variação (2,07%) e o maior impacto sobre o índice geral (0,31 ponto porcentual) vieram do segmento de habitação.

As demais variações neste mês ficaram entre 0,03% de educação e 0,96% de despesas pessoais.

No grupo de habitação, a energia elétrica residencial puxou a alta. Depois de recuar 6,25% em agosto, o item avançou 7,42% em setembro.

Veja a variação do índice em cada grupo pesquisado

  • Habitação: 2,07%;
  • Despesas pessoais: 0,96%;
  • Transportes: 0,6%;
  • Artigos de residência: 0,55%;
  • Comunicação: 0,54%;
  • Vestuário: 0,41%;
  • Alimentação e bebidas: 0,4%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,13%; e
  • Educação: 0,03%.

Análise

Segundo Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, “parte importante dessa surpresa” com a alta do IPCA-15 “veio de um fator pontual: o fim do bônus de Itaipu”. 

“Mas o dado merece atenção porque não foi apenas a energia: a média dos cinco núcleos acompanhados pelo Banco Central acelerou de 0,23% para 0,34%, enquanto o índice de difusão passou de 52% para 53,7%, mostrando uma inflação mais disseminada”, alerta. “Isso torna o resultado menos confortável para o BC.” 

Para Spyer, “o mercado agora deve olhar, principalmente, para a persistência das pressões, especialmente em serviços e nos núcleos”. “Com a Selic em 13,75%, o IPCA-15 reforça um cenário de cautela nos próximos passos da política monetária. O número cheio assusta, mas o que preocupa o BC está por baixo do capô: a inflação ficou mais disseminada e os núcleos aceleraram.” 

Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirma que “a reaceleração do índice reflete tanto a devolução pontual de itens voláteis e administrados (energia elétrica e passagens aéreas) quanto uma dinâmica qualitativa ainda pressionada, evidenciada pela alta da média dos núcleos e pelo patamar elevado dos serviços acumulados em 12 meses”.

IPCA-15

Para calcular o IPCA-15, o IBGE pesquisou os preços no período entre os dias 15 de agosto e 15 de setembro de 2026 (referência) e os comparou com aqueles vigentes de 16 de julho a 14 de agosto (base).

O indicador se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, o índice oficial de inflação. A diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

*Fonte: Revista Oeste