Prefeito petista gasta R$ 277 mil em robôs humanoides no interior do Ceará

Ararendá, com pouco mais de 11 mil moradores, adquiriu duas máquinas que dançam e cumprimentam pessoas

A Prefeitura de Ararendá, município cearense de 11.532 habitantes comandado por Aristeu Eduardo, do Partido dos Trabalhadores (PT), comprou em agosto dois robôs humanoides por R$ 276.998. Cada unidade custou R$ 138.499. A aquisição foi feita pela Secretaria de Educação (Sedu) da cidade, distante 301 quilômetros de Fortaleza.

O valor equivale a cerca de R$ 24 por morador do município, que tem população menor que a de muitos bairros da capital cearense. Os dados populacionais são do Anuário do Ceará.

Publicado em 31 de julho no Diário Oficial do Estado, o edital da licitação afirma que os equipamentos servirão para “estimular o aprendizado interativo e tecnológico” de alunos do ensino fundamental. Duas unidades foram escolhidas para recebê-los: a E.E.E.I.F. José Alves de Sena e a E.E.F. Firmino José.

Os robôs estrearam como atração de um evento promovido pela prefeitura para os jovens da cidade. Diante das crianças, as máquinas caminharam, dançaram e cumprimentaram o público.

No palco, o prefeito petista pediu aplausos para a rede municipal e vinculou a compra ao avanço da tecnologia. “Uma salva de palmas para a nossa educação de Ararendá. Estamos investindo bastante na educação e agora na educação robótica”, declarou.

“Estamos no mundo tecnológico, onde a robótica está ganhando cada vez mais espaço e nós não podemos ficar para trás nesse mundo contemporâneo”, completou Aristeu Eduardo.

Prefeito petista gasta R$ 277 mil em robôs humanoides no interior do Ceará
Os robôs estrearam como atração de um evento promovido pela prefeitura para os jovens da cidade | Foto: Reprodução/Instagram

Escola defende uso pedagógico de robôs

O jornal O Povo, que revelou a compra, procurou as duas escolas contempladas. Na José Alves de Sena, a pessoa que atendeu a ligação pediu que a reportagem aguardasse um retorno. Na Firmino José, ninguém atendeu.

A direção da José Alves de Sena só se manifestou no dia seguinte à publicação da reportagem. Segundo a gestão escolar, o uso das máquinas “não se trata simplesmente de colocar um robô diante dos estudantes para uma apresentação”. A escola afirma que os equipamentos são avaliados e manuseados pelos alunos em sala de aula.

“Um exemplo de aula com uso destes robôs que eu posso passar, é o exemplo de que o professor pode desenvolver atividades em que os alunos observem os movimentos do robô, investiguem como ele responde aos comandos, trabalhem sequências lógicas, medidas, resolução de problemas e conceitos relacionados à programação”, disse o representante da direção.

*Fonte: Revista Oeste