Capitão Alden (PL-BA) quer apurar se verbas federais financiaram comunicação política no 2º turno
O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) anunciou nesta sexta-feira, 30, a elaboração de um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O objetivo é apurar o possível uso de recursos públicos federais para financiar influenciadores digitais, agências de publicidade e campanhas de comunicação com fins político-eleitorais durante as eleições de 2026.
A iniciativa ocorre depois de questionamentos sobre a atuação de estruturas digitais durante o segundo turno. O deputado citou a mobilização promovida pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e o canal “Exército do Lula”. Janones impulsionou uma campanha nas redes sociais para atingir a meta de 10 milhões de seguidores. Alden ressalta que a comparação com o crescimento de votos entre os turnos não constitui, por si só, indício de irregularidade.
A comissão buscará dados sobre contratos de publicidade institucional, pagamentos a agências, repasses indiretos e subcontratações. O foco é verificar se a máquina pública foi usada para favorecer candidaturas ou prejudicar adversários. O parlamentar afirma que a investigação não pretende criminalizar a manifestação política de influenciadores. O alvo é a origem dos recursos.

“Uma coisa é um influenciador defender espontaneamente um candidato”, declarou Alden. “Outra, completamente diferente, seria utilizar dinheiro do contribuinte para financiar propaganda eleitoral disfarçada de opinião independente.”
Pedido cita atuação de Janones e “Exército do Lula”
O deputado destacou a dimensão das operações digitais no pleito. “O que chama a atenção é a dimensão dessas operações digitais e a convicção com que seus organizadores anunciavam resultados”, disse. Ele reforçou a necessidade de transparência. “Se isso aconteceu, precisamos identificar quem pagou, quem recebeu, quanto foi gasto e quem autorizou.”
A proposta prevê uma comissão formada por 15 deputados federais e 15 senadores. O prazo de funcionamento será de 180 dias. O requerimento ainda está em fase de preparação. Alden precisa reunir elementos documentais e coletar as assinaturas necessárias antes de protocolar o pedido no Congresso Nacional.
Para o deputado, a fiscalização deve continuar mesmo depois do fim do processo eleitoral. “A eleição acabou, mas a obrigação de fiscalizar o dinheiro público continua”, afirmou Alden. “O dinheiro público não pertence a partido, candidato ou influenciador. Pertence ao povo brasileiro.”
O parlamentar concluiu que os documentos devem esclarecer os fatos. Caso se comprove o desvio de finalidade, os responsáveis deverão responder na forma da lei.
*Fonte: Revista Oeste