Advogado de Trump critica contradições em decisão de Moraes sobre Bolsonaro

Martin De Luca aponta falta de lógica jurídica na concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente

O advogado Martin De Luca, que representa os interesses da Trump Media e da plataforma Rumble, classificou o recente despacho do ministro Alexandre de Moraes como uma “contradição lógica”. Em comentário cedido ao portal Metrópoles, o jurista questionou parte das regras impostas para a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro do regime fechado para o domiciliar. Para De Luca, o texto do magistrado apresenta inconsistências graves ao defender a ideia de que o sistema prisional possui estrutura plena de saúde e, simultaneamente, autorizar a saída do detento sob o pretexto de que o ambiente doméstico seria mais adequado.

A análise do advogado ligado ao presidente norte-americano destaca que Moraes ignorou padrões do Direito ao manter o benefício mesmo sob alegação de riscos de fuga e destruição de equipamentos de monitoramento. De Luca sugere que a movimentação do Supremo Tribunal Federal (STF) possui um pano de fundo político, motivada pela ascensão do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas para o Palácio do Planalto. Segundo o defensor, o ministro parece tentar se desvencilhar da responsabilidade por eventuais tragédias de saúde com o ex-mandatário logo que o cenário eleitoral começa a se transformar.

Restrições e vigilância no Jardim Botânico

Bolsonaro recebeu o direito de permanecer em sua residência, em Brasília, pelo intervalo de 90 dias para tratar um quadro de broncopneumonia. O período de descanso forçado em casa inicia-se logo que o político obtiver a alta hospitalar. Contudo, o magistrado impôs regras severas, com proibição de qualquer contato com aliados políticos. O círculo de convivência ficará restrito a filhos, enteada, médicos e advogados, com o objetivo declarado de evitar riscos de infecção generalizada.

A Polícia Militar do Distrito Federal recebeu ordens expressas para impedir aglomerações em um raio de 1 km do condomínio onde reside a família Bolsonaro. O 19º Batalhão deve monitorar as imediações para vetar manifestações de apoio ou protestos. O descumprimento de qualquer uma dessas exigências acarretará a revogação imediata da medida humanitária e o retorno do ex-presidente ao Complexo Penitenciário da Papuda ou a um hospital da rede prisional.

Prazos e perícia médica

O prazo de três meses estabelecido por Moraes servirá exclusivamente para a recuperação clínica do investigado. Com a conclusão desse tempo, o STF realizará uma nova avaliação sobre a necessidade de manter o recolhimento doméstico. O ministro ressaltou que poderá requisitar uma perícia oficial para atestar a condição física de Bolsonaro antes de decidir pela continuidade do benefício ou pela volta ao regime carcerário comum.

O ex-presidente seguirá utilizando tornozeleira eletrônica durante todo o tempo de permanência em sua casa no Jardim Botânico. Martin De Luca insiste em que a narrativa de descumprimento de medidas anteriores, citada no próprio documento de Moraes, torna a concessão do benefício um ato sem padrão jurídico consistente. Na visão do jurista, a decisão parece mais um movimento de preservação institucional do que uma aplicação técnica das normas de execução penal.

*Fonte: Revista Oeste