EUA preparam o envio para o Irã de armas reservadas à Ucrânia

Presidente Donald Trump, também anunciou que a suspensão de ataques a instalações energéticas iranianas será estendida por mais dez dias

O governo dos Estados Unidos (EUA) prepara o desvio de parte do material militar inicialmente reservado à Ucrânia para as operações no Oriente Médio. A possibilidade foi relatada pelo The Washington Post nesta quinta-feira, 26, em meio ao desgaste do estoque de munições considerado crítico durante a ofensiva contra o Irã.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal norte-americano, o debate ocorre dentro do Departamento de Defesa e ainda não resultou em uma decisão final. Ainda assim, o tema expõe o desafio estratégico de Washington para sustentar o apoio militar em dois cenários de guerra ao mesmo tempo.

Entre os equipamentos que podem ser deslocados estão mísseis interceptadores adquiridos por meio de um programa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) criado no ano passado. Nesse mecanismo, aliados compram armamentos fabricados nos EUA para reforçar as defesas de Kiev na guerra contra a Rússia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a suspensão de ataques a instalações energéticas iranianas será estendida por mais dez dias. O prazo, que terminaria nesta sexta-feira, 27, foi prorrogado até 6 de abril, segundo publicação do próprio presidente na rede social Truth Social.

“A pedido do governo iraniano, esta declaração serve para informar que estou suspendendo o período de destruição de usinas de energia por 10 dias, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h, horário do leste dos EUA”, escreveu Trump, nas redes sociais. “As negociações estão em andamento e, apesar das declarações errôneas em contrário da mídia de notícias falsas e de outros, estão indo muito bem.”

A trégua havia sido anunciada no início da semana, quando o presidente afirmou manter “conversas muito boas e produtivas” com autoridades iranianas em busca de uma solução ampla para o conflito.

As operações militares permanecem intensas. O almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), afirmou que forças americanas já atingiram cerca de 10 mil alvos militares em território iraniano desde o início das ações. A guerra começou em 28 de fevereiro, quando uma operação conjunta de Estados Unidos e Israel matou em Teerã o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

Desde então, integrantes do alto escalão do regime também foram mortos, e Washington afirma ter destruído navios, sistemas de defesa aérea, aeronaves e outras estruturas militares do país. Em resposta, o Irã lançou ataques contra diversos países do Oriente Médio, entre eles Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.

EUA entre a Ucrânia e o Irã

Autoridades iranianas afirmam que os ataques têm como alvo apenas interesses norte-americanos e israelenses instalados nesses territórios. O impacto humano também cresce. Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início do conflito, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA.

A Casa Branca registrou, por sua vez, ao menos 13 soldados americanos mortos em ataques iranianos relacionados diretamente à guerra. No Pentágono, um porta-voz evitou detalhar eventuais mudanças logísticas, mas afirmou que o Departamento de Defesa trabalha para garantir que as forças americanas e seus aliados “tenham o necessário para lutar e vencer”.

Já a embaixadora da Ucrânia em Washington, Olga Stefanishyna, declarou que Kiev mantém diálogo permanente com seus parceiros internacionais sobre as necessidades militares do país. Em comunicado citado pela imprensa americana, ela reconheceu que a guerra cria um “período de considerável incerteza”, mas afirmou que eventuais impactos das operações no Oriente Médio sobre o apoio à Ucrânia foram, até agora, mitigados.

*Fonte: Revista Oeste