Sóstenes protocola queixa-crime contra Gilmar Mendes

Líder do PL critica fala do ministro sobre vazamentos na CPMI do INSS e acusa Corte de interferência nas investigações

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que protocolou uma queixa-crime contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, depois das declarações do magistrado sobre vazamentos de informações sigilosas relacionadas à CPMI do INSS.

A iniciativa ocorre depois de Gilmar criticar, durante sessão do STF, a divulgação de conversas encontradas nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre fraudes que envolvem o Banco Master. 

O ministro do STF Gilmar Mendes | Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
O ministro do STF Gilmar Mendes | Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Ao comentar o episódio, o ministro classificou o vazamento como “deplorável” e “abominável”, dirigindo-se diretamente ao presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), que acompanhava o julgamento.

Durante a sessão desta sexta-feira, 27, Sóstenes declarou: “Estou aqui com uma queixa-crime e quero deixar à disposição para todos os parlamentares que quiserem, contra o ministro Gilmar Mendes, que nos acusou ontem, de maneira leviana, sem dar nome de quem vazou”.

Segundo o líder, a declaração do ministro atinge não apenas a oposição, mas todos os integrantes da comissão: “Ele precisa dar nome, porque se não ele fez uma humilhação muito grave contra todos nós aqui”.

Críticas ao governo durante da CPMI

Além do embate com o STF, Sóstenes aproveitou o momento para fazer um balanço político da atuação da CPMI e criticar o governo federal. Em discurso, exaltou a condução dos trabalhos pelo presidente da comissão e pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), destacando que a investigação avançou apesar da resistência governista.

“O gol de bicicleta da oposição no ano passado foi eleger um presidente e um relator que de verdade vieram aqui para investigar quem roubou aposentado”, declarou. “Porque se dependesse do governo, isso aqui já começaria em pizza.”

Na sequência, o deputado acusou o PT de atuar para esvaziar a comissão: “Não assinou a CPMI, perdeu a eleição para presidente e relator da comissão, blindou Lulinha e blindou também o Frei Chico”. 

Sóstenes ainda ampliou as críticas ao Judiciário, ao sugerir uma convergência entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o STF. 

“A gente, às vezes, na política, perde ganhando. E, neste caso, nós ganhamos perdendo no STF, porque todo mundo viu a associação do governo Lula com o STF”, afirmou.

*Fonte: Revista Oeste