FGC registra prejuízo histórico de R$ 52 bilhões com falência do Banco Master

Rombo é maior do que no caso do socorro ao Banco Nacional, por exemplo

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) enfrenta um rombo recorde de R$ 52 bilhões, em decorrência da falência do Banco Master. O montante supera o lucro de bancos como o Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, segundo levantamento do Poder360.

Apesar de o Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central, representarem menos de 1% dos ativos e captações do setor financeiro, o rombo superou o lucro líquido recorrente dos principais bancos listados na B3.

O lucro anual do Itaú, por exemplo, foi de R$ 46,8 bilhões. O do Bradesco, de R$ 24,6 bilhões; e o do Banco do Brasil, de R$ 20,7 bilhões.

Até a última quarta-feira, 25, o FGC já tinha pagado R$ 39,2 bilhões para credores do Master, R$ 124,7 milhões para o Will Bank e começado o repasse de R$ 2,5 bilhões a investidores do Banco Pleno.

Prejuízos históricos

Somando os seis maiores casos de prejuízo bancário, o FGC já contabiliza perdas de R$ 141,9 bilhões — o caso Master é responsável por 37% desse montante. Empresas ligadas a Daniel Vorcaro deixaram um rombo 58% maior do que o do Banco Nacional em 1995, quando o prejuízo, atualizado pela inflação, foi de R$ 32,8 bilhões.

O FGC atua na prevenção de crises bancárias, garantindo depósitos e oferecendo suporte a instituições associadas | banco pleno, master, will
O FGC atua na prevenção de crises bancárias, garantindo depósitos e oferecendo suporte a instituições associadas | Foto: Reprodução/Redes sociais

A situação expôs vulnerabilidades no sistema bancário nacional, ao revelar que instituições de pequeno porte podem gerar desequilíbrios de grande escala, sobretudo quando adotam estratégias de captação agressivas ou concentram riscos sem a devida precificação. O FGC, essencial para garantir a confiança de investidores, precisará captar mais recursos entre os bancos associados, o que pode encarecer o custo do sistema para todos.

Para reforçar o caixa do fundo depois dos pagamentos relacionados à liquidação do Master, os bancos realizaram um aporte extraordinário de R$ 32,5 bilhões até 25 de março de 2026, conforme decisão do conselho de administração do FGC.

Liquidação do Banco Master

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master depois da apuração de irregularidades, incluindo a venda de títulos sem valor ao BRB. Em julho de 2025, o órgão encaminhou informações iniciais ao Ministério Público da União.

A primeira operação da Polícia Federal aconteceu em 18 de novembro de 2025. Daniel Vorcaro foi preso, mas colocado em liberdade dez dias depois. Em 4 de março deste ano, por ordem do ministro André Mendonça, voltou a ser preso e, agora, negocia uma delação premiada.

A PF identificou pagamento de propina a funcionários do Banco Central para beneficiar o Master, resultando no afastamento de dois servidores: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, suspeitos de agir em favor da instituição. A Controladoria-Geral da União também abriu processos administrativos para apuração.

Toffoli e Moraes

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF envolvidos no caso do Banco Master | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O caso Master também envolve os ministros do STF Dias Toffoli, ex-relator do caso, e Alexandre de Moraes. Sobre Toffoli, a Polícia Federal pediu sua suspeição para atuar no caso Master depois de supostamente encontrar mensagens dele com o dono do banco, Daniel Vorcaro, e comprovantes de pagamento. Um resort da família de Toffoli foi vendido a um fundo ligado a Vorcaro. A empresa responsável pelo Tayayá, no Paraná, está em nome dos irmãos de Toffoli, mas o ministro é sócio oculto. Além disso, a imprensa mostrou que os funcionários o consideram o verdadeiro dono do empreendimento.

Com um arranjo do STF, Toffoli deixou o caso sem declarar suspeito ou impedido e poderá atuar no julgamento da ordem de prisão contra Vorcaro, expedida por André Mendonça, que o substituiu na relatoria.

Já Moraes teria atuado como lobista do Master. A imprensa divulgou encontros entre o ministro e Vorcaro, além de contato com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder a favor do Master no caso da liquidação. Pesa o fato de que Viviane Barci, mulher de Moraes, assinou com o banco um contrato de R$ 129 milhões, valor considerado irreal no mercado jurídico.

*Fonte: Revista Oeste