Uma discussão sobre segurança pública e proteção às mulheres ganhou destaque após a participação da vereadora Eduarda Campopiano, de São Paulo, em um episódio do podcast IronTalks. Durante o debate, que contou com a presença de Silvia Ferraro, vereadora do PSOL, Campopiano questionou a eficácia das políticas defendidas por setores da esquerda no enfrentamento à violência contra mulheres, trazendo à tona temas como feminicídio, punições penais e acesso à defesa pessoal.
O debate apresentado no podcast ganhou ainda mais relevância por estar inserido no contexto da chamada Lei da Misoginia, proposta que tem gerado discussões em todo o país sobre os limites entre proteção às mulheres e liberdade de expressão. A iniciativa busca tipificar e punir condutas consideradas misóginas, ampliando o alcance legal sobre manifestações e comportamentos.
Foi justamente a partir dessa pauta que a discussão entre as parlamentares se intensificou, abrindo espaço para questionamentos sobre a efetividade de novas tipificações penais diante de problemas já existentes, como a violência física, o feminicídio e a atuação do sistema de justiça na punição de agressores.
Ao abordar casos de assassinatos em contextos de relacionamentos, a vereadora destacou que crimes dessa natureza, embora enquadrados como feminicídio, muitas vezes estão ligados a fatores como ciúmes, término de relacionamento ou comportamento violento do agressor. “Ele me matou porque descobriu uma traição, não porque eu sou mulher”, afirmou, ao exemplificar situações de crimes passionais.
Campopiano também questionou a abordagem conceitual adotada em parte do debate público, defendendo que o foco deve estar na punição efetiva dos criminosos e não apenas na classificação do crime. Segundo ela, a motivação do agressor está mais relacionada a comportamento violento e descontrole emocional do que exclusivamente a questões de gênero.
Durante o podcast, a vereadora apresentou uma série de propostas que, em sua avaliação, seriam mais eficazes na proteção das mulheres. Entre elas, citou o endurecimento das penas para crimes hediondos, a redução da maioridade penal e o fortalecimento do direito à legítima defesa. “Você quer proteger a mulher? Tem que ter penas duras para crimes hediondos”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a crítica a decisões legislativas envolvendo partidos de esquerda no Congresso Nacional. Campopiano mencionou votações em que, segundo ela, parlamentares dessas siglas se posicionaram contra o aumento de penas para determinados crimes, incluindo aqueles relacionados à violência contra mulheres. A vereadora também criticou a ausência de apoio à redução da maioridade penal, destacando casos envolvendo menores infratores.
“Você tem que ter penas duras pra crimes hediondos, que envolvem inclusive o tal do feminicídio que vocês tanto falam, mas não vai ter penas mais duras pra crimes hediondos porque toda a bancada do PSOL, que é o seu partido, votou contra o aumento das penas. Isso sim são formas de você proteger mulheres. Tem que ter a redução da maioridade penal pra punir inclusive os menores infratores que estupram e que agredem mulheres, mas não vai ter redução da maioridade penal porque a galera da esquerda não quer”, afirmou Campopiano.
No debate, ela ainda abordou a dependência do Estado como principal mecanismo de proteção às vítimas, citando falhas estruturais, como a ausência de delegacias especializadas funcionando 24 horas. Para Campopiano, esse cenário evidencia limitações na resposta estatal à violência, especialmente em situações de urgência.
A parlamentar também fez críticas ao que classificou como foco excessivo em pautas simbólicas. Segundo ela, há uma priorização de discussões sobre linguagem e comportamento social, enquanto medidas práticas de combate à criminalidade não avançam com a mesma intensidade.
O debate se deu em torno de visões opostas sobre políticas públicas de segurança e proteção às mulheres. A participação de Eduarda Campopiano repercutiu por levantar questionamentos sobre a efetividade das políticas atuais e reforçar a divergência entre diferentes correntes políticas sobre como enfrentar a violência. O tema segue como um dos principais pontos de debate no cenário nacional, especialmente diante do aumento de casos de agressões e crimes contra mulheres no país.